Exposição no Centro de Arte Moderna mostra produção desconhecida de Charrua
Pinturas, desenhos e esculturas, com obras mais desconhecidas, da produção dos últimos anos, compõem a exposição antológica dedicada a António Charrua, que é hoje inaugurada no Centro de Arte Moderna, em Lisboa.
A mostra, intitulada "X de Charrua", apresenta pela primeira vez, na capital portuguesa, a vasta obra de um autor que "dedicou toda a sua vida à pintura", afirmaram hoje as curadoras da exposição, Ana Ruivo e Leonor Nazaré, durante a apresentação da mostra à imprensa.
"Apesar de ter realizado obras de referência, permanece ainda bastante desconhecido", acrescentaram, exaltando a importância de dar a conhecer as seis décadas de trabalho do autor.
A mostra aborda igualmente "as últimas décadas de produção, porventura as mais desconhecidas", que "atingem um dramatismo e uma sobriedade ímpares", sublinhou Ana Ruivo.
António Charrua, natural de Évora, começou a pintar nos anos 50 do século XX, arte que exerceu até à sua morte, em 2008, aos 83 anos.
Inspirado pelas cores vivas e intensas da obra de Van Gogh, e partindo da obra de Picasso, o artista percorre a representação da figura humana a um tipo de abstração com forte ligação ao real.
Charrua foi bolseiro da Fundação Gulbenkian, em 1960-61, onde se dirigiu a pedir apoio para uma viagem pela Europa. A sua produção dos anos de 1960 ficou então marcada pela aproximação ao gestualismo europeu, de raiz francesa, e ao informalismo catalão, que lhe permitiram explorar os caminhos da abstração.
A partir da década de 70, começou a exploração da pintura-escultura e cerâmica, cujas peças, com técnicas "visivelmente `picassianas`", podem ser vistas nesta mostra.
Na viragem para a década de 1980, como destaca a apresentação da mostra, aprofundou a pesquisa sobre as relações entre formas e símbolos, a génese e a transformação da consciência, acentuando, a partir de então, uma busca de sentido para a humanidade.
São sobretudo desta fase as obras menos conhecidas, de "um dramatismo e uma sobriedade ímpares", a que se refere a curadora Ana Ruivo.
A exposição é inaugurada em simultâneo com "Tensão e Liberdade", que reúne uma seleção de cem obras do centro da Gulbenkian, da Fundação "la Caixa", e do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA).
A diretora do CAM, Isabel Carlos, afirmou que a história destes dois países deu o nome à exposição: por um lado, as guerras e o clima de tensão que ambos enfrentaram no século XX - exemplos da guerra civil, em Espanha, e da guerra colonial, em Portugal; por outro, as questões de género, raça e sexualidade, que começaram a ganhar expressões artísticas.
Nesta mostra está reunida mais de meia centena de trabalhos de artistas como Ana Hatherly, João Abel Manta, Vasco Araújo, Gabriel Abrantes, Luísa Cunha e Nuno Nunes Ferreira, Bruce Nauman, Antoni Muntadas, Mike Kelley, Pepe Espaliú, Miroslaw Balka, Richard Hamilton, Samuel Beckett, Eric Baudelaire, Asier Mendizabal, Damián Ortega.
Ambas as exposições ficam patentes no Centro de Arte Moderna até 26 de outubro.