Fadista Teresa Brum Pinheiro inicia temporada no Chapitô em Lisboa

| Cultura

A fadista Teresa Brum Pinheiro, que inicia hoje uma temporada no Chapitô, em Lisboa, aponta o fado como "uma catarse dos sentimentos de cada um".

"Primeiro que tudo, essa catarse acontece com quem interpreta, e, se conseguirmos transmitir a mensagem, com quem ouve e, de certa forma, o fado é uma catarse da alma portuguesa", disse à Lusa a fadista, que também é psicóloga clínica.

Teresa Brum Pinheiro afirmou que o fado a cativa, "pela liberdade" que encontra quando o canta.

"Quando canto fado, parece que entro noutra dimensão, esqueço tudo, o fado é a única coisa que me tira deste planeta e o fado é muita emoção e vibro com isso. Os poemas, a própria música, e toda a conjugação -- poemas e música -- fazem-me sentir eu verdadeiramente, é uma coisa que sai dentro. Para mim, o fado é verdade", atestou.

A cantar fado há cerca de quatro anos, este "surgiu naturalmente", entre outros géneros musicais que interpretava.

"Eu cantava e acompanhava-me à guitarra clássica, e já incluía fado; depois fui cantando numa ou noutra casa de fados, até que começaram a surgir os convites e descobri o fado como a minha música absoluta", disse a intérprete.

Atualmente, a fadista projeta já aquele que será o seu primeiro álbum: "No princípio, achava que devia esperar e aprender mais, precisava de escola, mas agora sinto-me preparada para gravar um disco que registe esta minha fase, até porque estarei sempre apreender", afirmou.

Como referências fadistas, a intérprete citou "Maria Teresa de Noronha, absolutamente, também Teresa Tarouca, e claro está, Amália Rodrigues".

A fadista interpreta alguns fados dos repertórios destas fadistas e, entre outros, cita o "Fado das Horas" (António Bragança e Maria Teresa de Noronha), como um dos seus preferidos e o "Fado Boémio", de Frederico de Brito na melodia do Fado Varela, de Renato Varela, também criação desta intérprete falecida em 1993.

Outro fados que Teresa Brum Pinheiro referiu foram, o Fado Santa Luzia, de Armando Machado, com uma letra de Tiago Torres da Silva, "Meu amor abre a janela" e o "Fado Maluda", de Rosa Lobato Faria, na melodia do Fado Carlos da Maia, de Sextilhas.

Outros fados que citou foram "Alfama" (Ary dos Santos/Alain Oulman), "Eu queria cantar-te um fado" (António de Sousa Freitas/Fado Franklin de Sextilhas), criações de Amália, "O riso que me deste" (Teresa Tarouica, Fado Georgino, de Georgino de Sousa) e o "Fado do Cartaz" (Manuel Andrade/Marcha de Alfredo Marceneiro), de Teresa Tarouca.

Do seu repertório constam ainda "Fado Pechincha", de João do Carmo Noronha, com uma letra de Maria Manuel Cid, o Fado Magala, de Raul Portela, com um letra de Mário Martins, e o Fraklin de Quadras, "no qual interpreta "Fado Feliz", escrito pelo guitarrista Nuno Siqueira propositadamente para a sua voz.

Para a fadista a escolha é clara: "Sem dúvida prefiro o fado tradicional!".

A temporada que hoje começa deverá prolongar-se até setembro, atuando no Chapitô, à Costa do Castelo, sempre às segundas-feiras, acompanhada pelos músicos Ricardo Rocha, na guitarra portuguesa, e Mário Estorninho, na viola.

Questionada sobre qual das carreiras irá seguir, a fadista afirmou que, "por enquanto", consegue "conciliar as duas", mas "a vida é que vai determinar".

"Não farei essa escolha por mim, deixarei que o tempo a faça", disse.

NL // MAG

Lusa/Fim

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