Feira do Livro: O "Natal" dos leitores começa hoje

A 87ª edição da Feira do Livro de Lisboa arranca esta quinta-feira com várias novidades e ainda com mais livros, autores, editoras e chancelas. Entre as principais novidades estão um fraldário e um espaço dedicado a animais de estimação. O evento decorre até dia 18 de junho no Parque Eduardo VII, em Lisboa.

Andreia Martins - RTP /
A 87ª Feira do Livro decorre até dia 18 de junho no Parque Eduardo VII, em Lisboa RTP

Maior em tamanho mas também em qualidade, a grande livraria do país decorre nas duas próximas semanas e faz tudo para que cada visitante encontre a leitura ideal. É o que promete a 87ª Feira do Livro de Lisboa, que este ano subiu mais meio talhão do Parque Eduardo VII e que conta com novos participantes e com um número recorde de pavilhões. A Feira do Livro conta este ano com dez novos participantes (num total de 122) e com 286 pavilhões.

E porque o evento começa precisamente no Dia Mundial da Criança, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que organiza todos os anos a Feira do Livro de Lisboa – quis dar um lugar de destaque aos mais pequenos, com a receção de várias escolas da cidade.


“Vamos ter uma programação especial, com parkour, uma parada de mascotes, temos uma parceria com o Chapitô para atividades circenses e ainda um mural para ser ilustrado por crianças”, conta Bruno Pacheco, secretário-geral da APEL, em declarações à RTP.

As atividades iniciam-se às 10h00, ao contrário do que é habitual. Nos restantes dias, as bancas de livros estarão abertas entre as 12h30 e as 23h00, de segunda-feira a quinta-feira, e vão encerrar mais tarde às sextas-feiras e sábados. Aos domingos e feriados da segunda semana de feira, as bancas estarão abertas entre as 11h00 e as 23h00.
Vários autores de passagem pela feira
De ano para ano, os editores apostam cada vez mais na Feira do Livro para o lançamento de livros e a apresentação de novidades. “Um pouco como acontece antes do período do Natal”, conta o responsável Bruno Pacheco por conversa telefónica.
O mapa da feira pode ser consultado aqui.
Um elemento forte neste evento costuma ser a vinda de vários autores de renome, a nível nacional e internacional.

No ano passado, pelo menos 1000 autores estiveram na feira, em pelo menos 1500 atividades, entre as quais as habituais sessões de autógrafos.

Este ano, o número “ainda não está fechado” e poderá crescer no decorrer da própria feira, conta o secretário-geral da APEL. Promete-se, pelo menos, igualar o número do ano passado e trazer alguns dos autores que mais se destacam na cena literária da atualidade.

Destaque, por exemplo, para a presença, entre os dias 10 e 11 de junho, de Paula Hawkins, autora de “A Rapariga no Comboio”, livro que foi bestseller em Portugal no ano passado.

O romancista chileno Luis Sepúvelda regressa ao evento depois de ter marcado presença em 2014, também nos dias 10 e 11 de junho.

José Eduardo Agualusa, José Rentes de Carvalho, José Luís Peixoto, Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares e Alberto João Jardim são alguns dos nomes mais sonantes que vão passar pelo Parque Eduardo VII nas próximas duas semanas.
Feira para todos
A comodidade dos visitantes é algo que preocupa quem organiza a Feira do Livro. Bruno Pacheco considera que esta aposta é cada vez mais forte, contando este ano com duas grandes novidades: um fraldário, para as famílias que visitam a feira acompanhadas de bebés, e ainda o “Refrescão”, um espaço onde os animais de estimação podem descansar e beber água antes de prosseguirem a visita com os donos.

Também na alimentação procura-se uma feira que agrade a todos. Este ano, com uma restauração mais variada, com oferta gourmet e vegetariana, além da oferta habitual.
Livros de culinária, o prato forte da feira
A Feira do Livro acolhe este ano a iniciativa Portugal Cookbook Fair, que pretende destacar o que melhor se faz na edição de livros sobre culinária e nutrição. “É uma área que tem vindo a ganhar maior peso na produção editorial, por isso o primeiro fim de semana será dedicado a este evento”, conta o secretário-geral da APEL.

Destaque para as sessões de show cooking, onde haverá uma cozinha profissional para que os autores presentes possam interagir com o público e apresentar as suas receitas, e ainda para o Conversas com Sabor, dedicado ao debate sobre gastronomia e nutrição, ou a entrega de prémios aos melhores livros de gastronomia.

Neste espaço dedicado à culinária, vão estar presentes autores e chefs de renome como Justa Nobre, Henrique Sá Pessoa, João Carlos Silva ou Andrea Henrique.
Atrações do costume
Se a Feira procura ser cada vez mais atrativa para todos com as atividades mais diversas, mantêm-se as tradições para os mais ávidos leitores. Falamos das iniciativas Hora H e Livro do Dia, que já são habitués deste evento.

Nos 18 dias de Feira do Livro, as editoras promovem descontos em livros específicos. Através do site e da app para telemóvel, a APEL procura potenciar estas promoções, deixando aos utilizadores a possibilidade de fazerem uma wishlist.

No telemóvel, a aplicação vai permitir identificar o número do pavilhão onde se encontram os livros escolhidos, recorrendo a um sistema de georreferenciação para guiar o utilizador, de forma a encontrar o que pretende mais rapidamente. A Hora H decorre nos pavilhões aderentes entre as 22h00 e as 23h00, de segunda a sexta-feira. Este ano, começa a 5 de junho

Sobre a Hora H, Bruno Pacheco nota que “há cada vez mais público presente nessa hora da feira, e por isso cada vez mais os editores procuram aderir”, sinal do peso significativo que a iniciativa tem nas vendas do dia.

A Hora H consiste no desconto mínimo de 50 por cento em livros que tenham sido editados em Portugal há mais de 18 meses.

“No ano passado cerca de 70 por cento dos pavilhões da feira estiveram em hora H. De ano para ano há uma adesão cada vez maior e este ano haverá adesão pelo menos ao mesmo nível”, conta o responsável da APEL.
Internacionalização da Feira
Se os livros alargam horizontes, a Associação do Livro procura também desde o ano passado alargar os horizontes deste evento, ao receber a visita de editores estrangeiros - alemães, franceses e italianos - em iniciativas da AICEP, Instituto Camões e embaixadas portuguesas no estrangeiro, à imagem do que aconteceu pela primeira vez no ano passado, quando foram recebidas duas delegações de editores alemães e ingleses.

O objetivo é mostrar o que se faz na edição lisboeta de feira do livro e permitir o contacto direto com os editores que participam no evento. “Serão promovidas também várias reuniões para, esperançosamente, possibilitar a venda de autores e livros portugueses”, sublinha Bruno Pacheco.

Este ano está ainda prevista a visita do diretor da Feira de Frankfurt, uma das mais importantes do setor.

A Feira do Livro de Madrid, que termina a 11 de junho, também poderá potenciar sinergias com o evento em Lisboa, inserindo-se na rede de feiras do livro que acontece um pouco por toda a Europa.
Dormir com livros
A Feira do Livro acolhe pela quarta vez mais um evento a pensar nas crianças. O “Acampar com Histórias” acontece este ano em oito dias diferentes, na noite de sexta-feira, sábado e véspera dos feriados.

As crianças são convidadas a conhecer e a fomentar o gosto pelos livros, sem tablets ou telemóveis para as distrair.

São recebidas na Feira do Livro ao fim da tarde, onde fazem uma visita, e seguem para a Estufa Fria, onde estão monitores e “contadores de histórias”. De manhã, antes do final da atividade, são desafiadas a fazer um diário da noite e a contar a sua experiência.

O “Acampar com Histórias” recebe vinte crianças por noite, dos 8 aos 9 anos. Para além da atividade em Lisboa, que esgotou este ano logo no próprio dia, os organizadores tentam alargar a atividade e pretendem levar a ideia a outros pontos do país, sobretudo capitais de distrito. A APEL, responsável pela organização deste evento, promete novidades e confirmações para breve.
Um livro não se deita fora
Outra iniciativa que regressa à feira do Livro e pretende fomentar os hábitos de leitura, é o “Dê Nova Vida ao Livro”, com um espaço que recebe doações de livros usados, que serão depois redistribuídos pelas instituições que fazem parte da rede do Banco de Bens Doados.
 
Este ano, à semelhança do que aconteceu em 2016, além de possibilitar a leitura aos que não têm tantas acessibilidades, a Feira do Livro promove também a campanha Papel por Alimento, que vai receber livros para reciclar. No ano passado foram contabilizados cerca de quatro mil livros.
Debates e outras ofertas
Em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), a Feira do Livro acolhe a “Praça Azul” um espaço para lançamento de livros e para debate de vários temas da atualidade.

A agenda completa da Feira do Livro pode ser consultada aqui. O evento decorre até dia 18 de junho no Parque Eduardo VII, em Lisboa. Da programação destaca-se também o II Encontro Literário “Nós e os Livros”, no dia 11 de junho, onde se reúnem leitores e clubes de leitura para a discussão de livros.

A Cinemateca Portuguesa associa-se ao evento com as Noites de Cinema e promove a exibição de filmes baseados em obras de autores portugueses.

E se faltarem à abertura do evento, pensada em especial para o Dia da Criiança, os mais pequenos vão ter à sua espera um grande insuflável. A Câmara Municipal de Lisboa e a rede de Bibliotecas de Lisboa, que também se associam à APEL para a Feira do Livro, apostam na programação infantil e mais dedicada às famílias, que vai decorrer junto ao Espaço Infantil da feira.
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