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Festival de inverno regressa a Maputo com teatro de rua e comunitário em maio

Festival de inverno regressa a Maputo com teatro de rua e comunitário em maio

O Festival Internacional Teatro de Inverno (FITI) regressa em maio a Maputo, na sua 22ª edição, com 25 espetáculos de companhias nacionais e estrangeiras, incluindo teatro de rua e comunitário, apesar de restrições financeiras reconhecidas pela organização.

Lusa /
EPA

O coordenador do FITI, Joaquim Matavel, explicou à Lusa que o processo de seleção das companhias ainda decorre, tendo sido recebidas 78 candidaturas provenientes de vários países.

"Além dos espetáculos de teatro para adultos, infantil, teatro de rua e também comunitário a ser realizado nas diferentes salas culturais da cidade de Maputo, o festival também envolve uma componente destinada a formação" disse Joaquim Matavel, acrescentando que essa edição terá também a componente formativa, com masterclasses e oficinas dedicadas à criação, produção e linguagem teatral.

O festival vai realizar-se entre 28 de maio e 07 de junho - considerado o período de inverno na região - e é organizado pela Associação Cultural Girassol, promotora do evento desde 2004, devendo reunir grupos de Moçambique, África do Sul, Essuatíni, Zimbabué, República Democrática do Congo, Portugal, Brasil e Espanha.

"Cada companhia selecionada apresentará o seu espetáculo em duas sessões, permitindo maior contacto do público com as diferentes propostas artísticas", afirmou o coordenador.

De acordo com a organização, já foram registadas mais de 10 candidaturas oriundas do Brasil e seis de Portugal, estando o processo de curadoria previsto para terminar no final de janeiro, com a seleção final a ser anunciada em fevereiro.

"O objetivo do festival, que é sempre o único, é expor aquilo que é o produto artístico dos grupos, das companhias e das organizações internacionais, impulsionar o intercâmbio e a troca de experiências entre os países e também proporcionar oportunidades para coproduções, parcerias com outros festivais e outras companhias", explicou Joaquim Matavel.

O responsável sublinhou que o FITI tem contribuído para a afirmação do teatro moçambicano em circuitos internacionais, funcionando como ponto de contacto entre criadores nacionais e programadores estrangeiros, o que tem facilitado convites e intercâmbios fora do país.

A programação inclui igualmente companhias provenientes de várias regiões de Moçambique, nomeadamente das cidades da Beira na província de Sofala, Quelimane, na Zambézia, na zona centro do país, e em Nampula, no norte, cujos grupos já submeteram candidaturas para esta edição.

Matavel estimou que o festival envolva diretamente entre 100 e 120 artistas, incluindo atores, técnicos e equipas de produção, número que poderá ultrapassar os 200 participantes quando considerados estudantes de artes cénicas e profissionais indiretamente envolvidos.

Apesar da dimensão internacional do evento, a organização enfrenta dificuldades financeiras, estando o orçamento global estimado em cerca de três milhões de meticais(40,3 mil euros), sem apoios governamentais ou empresariais confirmados até ao momento.

"Temos uma carga muito grande com alojamento, alimentação, materiais técnicos e combustíveis para deslocações", explicou, admitindo que a fraca adesão do empresariado nacional ao teatro é um desafio recorrente.

O acesso aos espetáculos será feito mediante compra de bilhetes, com preços diferenciados para o público em geral e estudantes, estando também previstas entradas bonificadas destinadas a instituições de ensino, centros de acolhimento e públicos socialmente vulneráveis.

A Associação Cultural Girassol, criada em 1987 e reconhecida juridicamente em 2004, tem desenvolvido trabalho continuado na promoção do teatro amador e no apoio a grupos emergentes, sendo considerada uma referência no panorama das artes cénicas em Moçambique.
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