Festival reúne escritores da Lusofonia no Brasil e presta atenção ao Dia da Língua Portuguesa

por Lusa

O Brasil vai acolher, a partir do próximo dia 27, o 19.º Festival Literário Internacional de Poços de Caldas, que reunirá mais de 160 convidados numa programação que nesse homenageará cronistas e dará destaque a autores da Lusofonia.

Entre os eventos planeados na programação - que terá 200 iniciativas, espectáculos todas as noites, 40 expositores e uma expectativa de reunir 80 mil pessoas, entre 27 de abril e 5 de maio, com programação gratuita, na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais - haverá duas mesas importantes para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

A primeira mesa de debates que celebra o 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa, reunirá as poetas Mariana Basílio, Mar Becker e Dalila Teres Veras, que falarão sobre o tema "Os continentes em nós, falantes da Língua Portuguesa".

A segunda mesa terá com o tema "Encontro dos países Brasil, Portugal, Moçambique, Angola em Poços de Caldas, o que podemos aprender sobre a nossa formação cultural", e contará com a presença de Mbiavanga Adão Garcia, mais conhecido como Paulo de Cabinda, escritor e professor angolano, Conceição Queiroz, renomada jornalista moçambicana, e Cristina Drios, escritora portuguesa residente da 4.ª Residência Literária, projeto realizado em conjunto com o Instituto Camões de Brasília.

Gisele Corrêa Ferreira, curadora do evento, disse em entrevista à Lusa que os debates com autores da Lusofonia fazem parte da história do festival que sempre teve uma programação voltada para a "valorização da língua portuguesa, esses intercâmbios culturais que sempre consideramos importantes".

"[A Flipoços] sempre teve um trabalho muito focado nisso, até porque quando nós nascemos há 19 anos, a literatura portuguesa e mesmo os escritores portugueses não eram muito difundidos no Brasil. Isso foi uma das missões que nós tivemos ao longo desses anos, que é exatamente proporcionar essa oportunidade para que os escritores portugueses tenham mais visibilidade no Brasil", acrescentou.

A curadora também destacou a parceria com o Instituto Camões em Brasília, explicando que nos últimos seis anos, especificamente, a Flipoços tem realizado residências literárias em parceira com a instituição responsável pela promoção da língua portuguesa a nível global. 

"Este ano, a nossa escritora residente é Cristina Drios, que nunca esteve no Brasil (...) ela se encaixa no nosso objetivo de fazer, de trazer novos autores para o mercado brasileiro, para serem conhecidos aqui. E ela, realmente, é uma grande autora, é uma pessoa muito interessante e vai lançar um livro pela Editora Pontes", destacou a curadora.

Sobre os autores africanos que escrevem em língua portuguesa Gisele Corrêa Ferreira destacou a presença da moçambicana Conceição Queiroz, que além de participar dos debates também lançará um livro no país sul-americano, e o angolano Paulo de Cabinda.

"Vamos receber também o Paulo de Souza, que é o curador do Fólio Educa, de Óbidos, do festival de Óbidos. Ele estará também conosco aqui exatamente para falar sobre o trabalho de educação que o Fólio desenvolve. A gente também costuma ter esses intercâmbios com os festivais portugueses, principalmente com o Fólio, a Feira do Livro em Lisboa, com o festival Palavras de Fogo. Temos esses intercâmbios muito importantes e interessantes com os festivais em Portugal", concluiu. 

O evento terá ainda, entre suas atrações, a inauguração da primeira Vila Literária de Minas Gerais.

O tema desta edição da Flipoços é "A Crónica nossa de cada dia", que terá atrações para diversos públicos do infantil ao adulto. O festival pretende oferecer uma experiência mais intimista, que promova contemplação e relaxamento.

Os escritores homenageados -- Ignácio de Loyola Brandão e Chico Lopes -- terão um encontro especial entre amigos onde vão contar histórias para o público no dia 28 de abril, domingo.

O evento reunirá ainda autores conhecidos da crónica brasileira como Ruy Castro, Julian Fuks, Cristiana Rodrigues, Sophie Ganeff, Luiz Eduardo Carvalho e Diógenes Moura.

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