Geoparque Algarvensis distinguido pela UNESCO e passa a integrar a Rede Mundial de Geoparques

Geoparque Algarvensis distinguido pela UNESCO e passa a integrar a Rede Mundial de Geoparques

O Geoparque Algarvensis foi distinguido esta segunda-feira, na sede da UNESCO, em Paris, com o certificado que reconhece oficialmente este território como Geoparque Mundial da UNESCO, passando a integrar a Rede Mundial de Geoparques da organização.

Carla Quirino - RTP /
Rocha da Pena, Salir e Benafim Geoparque Algarvensis

O Geoparque Algarvensis é oficialmente o mais recente a integrar a Rede Mundial de Geoparques da UNESCO.

O território, localizado no Algarve, abrange os concelhos de Loulé, Silves e Albufeira, estendendo-se por uma área contínua de cerca de 2.427 quilómetros quadrados, que integra zonas da Serra, do Barrocal e do Litoral, incluindo uma significativa componente marinha. 

Trata-se de um espaço com elevado valor científico, ambiental e cultural, cuja história geológica remonta a mais de 300 milhões de anos, documentando momentos-chave da evolução da Terra.
Menir dos Gregórios talhado em “grés de Silves”. Apresenta face decorada com 47 covinhas algumas das quais ligadas entre si por canaletes tendo sido erguido na segunda metade do VI milénio ou na primeira metade do V milénio (Neolítico Antigo) | Geoparque Algarvensis

Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé (CML) — um dos três municípios parceiros do projeto — marcou presença na cerimónia em Paris e manifestou satisfação e orgulho pela distinção alcançada.

“Este é um dia feliz e histórico. O nosso trabalho e dedicação foram reconhecidos: somos Geoparque Mundial da UNESCO”, afirmou o autarca que deixou ainda palavras de agradecimento aos parceiros institucionais, técnicos e científicos que ao longo dos últimos sete anos contribuíram para este percurso. 

“É a eles que se deve a marca UNESCO no nosso território”, sublinhou Temo Pinto num comunicado da autarquia.

Entre os principais pontos de interesse do Geoparque Algarvensis destacam-se locais emblemáticos como a Rocha da Pena, classificada como Paisagem Protegida Local, a Fonte Benémola, a Falha de São Marcos, a Mina de Sal Gema de Loulé — a única mina subterrânea de sal ativa em Portugal —, a formação do Grés de Silves, bem como inúmeros geossítios, percursos pedestres, rotas temáticas, aldeias tradicionais e património arqueológico e etnográfico. 

O território aposta ainda no geoturismo, na educação ambiental e na valorização dos produtos e comunidades locais.
Certificado da UNESCO nas mãos da equipa que lidera o projeto do Geoparque Algarvensis | CML

Para Telmo Pinto, o reconhecimento internacional representa “uma responsabilidade acrescida, mas também uma oportunidade única para afirmar o território num novo paradigma de desenvolvimento sustentável”, reforçando o convite à visita ao longo de todo o ano.

O trabalho desenvolvido pelos municípios de Loulé, Silves e Albufeira, em articulação com a Universidade do Algarve, entidades públicas, comunidade científica e população local, culminou agora com esta distinção.

No entanto, o estatuto de Geoparque Mundial da UNESCO implica um compromisso contínuo.

“Trata se de um processo de avaliação permanente, exigente e rigoroso. Em 2029, o território será novamente sujeito a um processo de revalidação, o que significa que esta distinção não é definitiva”, alertou o autarca, acrescentando que será necessário continuar a cumprir os critérios definidos pela UNESCO, mantendo se fiel à missão, visão e objetivos estratégicos do Geoparque Algarvensis.
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