Cultura
Hélia Correia vence Prémio Camões 2015
A escolha foi unânime e Hélia Correia constitui o 11º autor português a vencer o Prémio Camões. Na altura de receber um prémio de poesia com "A Terceira Miséria", a escritora confessou não ser uma fã de prémios e distinções.
Foto: lusa
Hélia Correia, nascida em Lisboa em 1949, autora de romance, novela e conto, receberá um prémio monetário de 100.000 euros. A escolha de Hélia Correia para a 27.ª edição do Prémio Camões foi por unanimidade e feita hoje, numa reunião do júri, que contou com Rita Marnoto, professora na Universidade de Coimbra, Pedro Mexia, crítico literário e escritor, Inocência Mata, professora nas universidades de Lisboa e de Macau, e pelos escritores Affonso Romano de Sant'Anna, António Carlos Secchin e Mia Couto.
Licenciada em Filologia Românica, Hélia Correia estudou teatro clássico e editou poesia nos anos 1980, mas foi como ficcionista "que se revelou como um dos nomes mais importantes e originais da sua geração", afirma hoje a secretaria de Estado da Cultura.
"Lillias Fraser", um romance histórico passado entre Portugal e Escócia, publicado em 2001, foi o que lhe valeu mais prémios literários: o Prémio de Ficção do Pen Club e Prémio D. Dinis. Antes desse, a autora tinha visto "A casa eterna" ser distinguido com o Prémio Máxima de Literatura, em 2000. Este ano, a obra "Vinte Degraus e Outros Contos" valeu-lhe o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, que lhe foi entregue na passada segunda-feira.
Em 2013, quando recebeu o Prémio Correntes d'Escritas Casino da Póvoa, pelo livro de poesia "A Terceira Miséria", Hélia Correia afirmava que não gosta muito de prémios e distinções. Nesse ano recebeu ainda o o Prémio PEN Clube Português de Poesia e o Prémio Vergílio Ferreira 2013, pela Universidade de Évora.
Casada com o escritor Jaime Rocha, Hélia Correia estreou-se na poesia com a edição de "O Separar das águas", em 1981, ao qual se seguiu "O número dos vivos", em 1982.
"Bastardia", "O número dos vivos", "Soma", "A chegada de Twainy", "A ilha encantada" (adaptação para os mais novos da peça "A tempestade", de Shakespeare) e "Adoecer" são outros títulos publicados pela autora.
O Prémio Camões foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989 como forma de reconhecer autores "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da literatura de língua portuguesa em todo o mundo", sustenta a organização.
Portugal e Brasil lideram a lista de distinguidos com o Prémio Camões, contando com onze premiados, seguindo-se Angola e Moçambique, com dois - contando com o luso-angolano Luandino Vieira -, e Cabo Verde.
A história do galardão conta apenas com uma recusa, a do angolano Luandino Vieira, em 2006.
Lista dos distinguidos com o Prémio Camões:
1989 -- Miguel Torga, Portugal
1990 -- João Cabral de Melo Neto, Brasil
1991 -- José Craveirinha, Moçambique
1992 -- Vergílio Ferreira, Portugal
1993 -- Rachel Queiroz, Brasil
1994 -- Jorge Amado, Brasil
1995 -- José Saramago, Portugal
1996 -- Eduardo Lourenço, Portugal
1997 -- Pepetela, Angola
1998 -- António Cândido de Mello e Sousa, Brasil
1999 -- Sophia de Mello Breyner Andresen, Portugal
2000 -- Autran Dourado, Brasil
2001 -- Eugénio de Andrade, Portugal
2002 - Maria Velho da Costa, Portugal
2003 -- Rubem Fonseca, Brasil
2004 -- Agustina Bessa-Luís, Portugal
2005 -- Lygia Fagundes Telles, Brasil
2006 -- José Luandino Vieira, Portugal/Angola
2007 -- António Lobo Antunes, Portugal
2008 -- João Ubaldo Ribeiro, Brasil
2009 -- Arménio Vieira, Cabo Verde
2010 -- Ferreira Gullar, Brasil
2011 -- Manuel António Pina, Portugal
2012 -- Dalton Trevisan, Brasil
2013 - Mia Couto, Moçambique
2014 - Alberto da Costa e Silva, Brasil
2015 - Hélia Correia, Portugal
(Marcos Celso com lusa)