Homenagem ao cravista e regente Gustav Leonhardt na Igreja de São Roque

Lisboa, 23 jan (Lusa) - O cravista e maestro holandês Gustav Leonhardt, pioneiro da recuperação da música pré-romântica, é homenageado na terça-feira em Lisboa, uma semana após a morte, em Amesterdão, no mesmo dia em que se realiza o funeral, na Holanda.

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A sessão de homenagem realiza-se na Igreja de São Roque e conta com a participação do musicólogo Rui Vieira Nery, responsável do Programa Gulbenkian Educação para a Cultura, que recordará o "amigo e professor".

O organista João Vaz, acompanhado pela contralto Carolina Figueiredo, associa-se à homenagem interpretando obras do repertório recuperado por Leonhardt, em particular dos alemães Johann Sebastian Bach e Dieterich Buxtehude, que o primeiro admirava, assim como dos portugueses António Carreira (c. 1530-c.1594) e Carlos Seixas (1704-1742).

Precursor da corrente de interpretação historicamente informada, responsável pelo resgate de obras de mestres do Barroco e daqueles que os antecederam, Gustav Leonhardt foi presença regular em Portugal, durante mais de quatro décadas.

Participou em diferentes temporadas de música da Fundação Calouste Gulbenkian, nos diferentes Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus, em Vila Real, no Festival dos Capuchos, em Almada, e nos antigos Concertos Em Órbita, entre outras iniciativas.

Leonhardt apresentou-se em Portugal, pela última vez, a 15 de abril de 2007, no Centro de Artes de Sines.

Entre 2000 e 2005 esteve igualmente em Lisboa, para atuar no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, assim como na Igreja de São Vicente de Fora, para um recital de órgão, e na Igreja de São Roque, onde terça-feira se realiza a homenagem.

Intérprete privilegiado de mestres do Barroco, como Johann Sebastian Bach, François Couperin e Domenico Scarlatti, e daqueles que os antecederam, como Jan Sweelink, William Byrd e Girolamo Frescobaldi, Leonhardt estabeleceu, desde a década de 1950, com o violoncelista e maestro austríaco Nikolaus Harnoncourt, métodos de investigação musicológica que viriam a revolucionar e interpretação e a promover a recuperação de um património musical anterior ao Romantismo, que provém de quase todo o continente europeu e se estende ao longo de séculos.

As suas gravações das "Variações Goldberg" e de "A Arte da Fuga", assim como da "Paixão Segundo São Mateus" e da totalidade das cantatas sacras sobreviventes de Bach, que fez em parceria com Harnoncourt, integram as listas das mais importantes edições discográficas dos últimos 50 anos de publicações especializadas como a britânica Gramophone e a francesa Diapason.

Leonhardt distingui-se no ensino contando, entre os seus antigos discípulos os cravistas e regentes Christophe Rousset, Philippe Herreweghe, Pierre Hantai, Ton Koopman, Davitt Moroney, Christopher Hogwood, Alan Curtis, Richard Egarr, Ketil Haugsand, Andreas Staier, Skip Sempé ou Bob van Asperen.

O derradeiro recital de Gustav Leonhardt realizou-se no passado dia 12 de dezembro, no Théâtre des Bouffes du Nord, em Paris, no qual interpretou o francês Jacques Duphly, antes de oferecer como "encore" a 25.ª das "Variações Goldberg", de Bach, uma das mais longas e exigentes das 30 compostas pelo mestre de Leipzig.

Gustav Leonhardt morreu a 16 de janeiro em Amesterdão, a poucos meses de completar 84 anos.

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