Lourdes Norberto: Nicolau Breyner "tinha sempre projetos em mente"
A atriz Lourdes Norberto referiu-se hoje a Nicolau Breyner, que morreu na segunda-feira, em Lisboa, como um homem que "tinha sempre projetos em mente, tinha sempre planos", e Ana Bola falou do ator como "um homem decente e honesto".
Lourdes Norberto prestou estas declarações aos jornalistas, à entrada da Basílica da Estrela, em Lisboa, onde a urna do ator se encontra, na Capela do Senhor dos Passos.
A atriz referiu-se ainda a Nicolau Breyner, que "agora pensava ir ao Brasil", como "um homem bondoso, bem-disposto e sempre com vontade de rir".
Também a atriz Ana Bola considerou Nicolau Breyner como "um grande colega e um grande artista". "Nicolau Breyner é um artista absolutamente consensual", disse a atriz, referindo que ele "nunca parou de trabalhar", daí ser conhecido por várias gerações de portugueses, "que o veem como uma pessoa da família".
"Um homem decente e honesto, que tinha sempre uma enorme alegria e que deixa muita saudade", rematou a atriz de "Estado de graça".
Cerca de duas centenas de pessoas encontram-se na Basílica da Estrela, em Lisboa, para prestar a última homenagem ao ator, entre anónimos e pessoas conhecidas do grande público, nomeadamente o maestro António Victorino d`Almeida, o fadista Vicente da Câmara Pereira e o ator Miguel Dias, que se referiu a Nicolau Breyner como "uma escola".
"O Nicolau era uma escola, trabalhámos poucas vezes, mas sinto-o como família", disse o ator.
O realizador de rádio António Sala, por seu turno, realçou o facto de Nicolau Breyner "nunca dizer mal de ninguém".
"Nunca o ouvi dizer mal de ninguém e, neste meio, isso é complicado", afirmou o antigo realizador do programa "Despertar".
Helena Roseta, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, que hoje aprovou um voto de pesar, disse que guarda a memória de um "um homem que fazia rir e, ao mesmo tempo, enchia de ternura, e que já era um hábito entrar nas casas" das pessoas.
O produtor musical Luís Jardim afirmou que fez "a mais forte e mais rápida amizade da sua vida".
"Tornámo-nos amigos, como quase de infância, em cinco anos", disse o produtor, que revelou que Nicolau Breyner tinha um projeto de ir gravar um álbum a Cabo Verde, ainda este ano.
O ator e realizador Nicolau Breyner, 75 anos, morreu na segunda-feira, em casa, em Lisboa.
As exéquias do ator realizam-se hoje na Basílica da Estrela, onde será rezada missa de corpo presente às 20:00.
O funeral realiza-se na quarta-feira, a partir das 15:00, com uma missa na Basílica da Estrela, seguindo depois para o cemitério do Alto de São João, onde o corpo será cremado.
Nascido em Serpa, no distrito de Beja, a 30 de julho de 1940, com uma carreira de mais de 60 anos, o ator deixou uma marca nos palcos e na televisão portuguesa, sobretudo através de comédias e de telenovelas como "Vila Faia" e "Cinzas", entre outras.
Ficou também conhecido do grande público em programas de televisão como "Eu Show Nico" e "Nicolau no país das maravilhas", no qual criou o `sketch` "Senhor feliz e senhor contente", com Herman José.
Anteriormente, Nicolau Breyner tinha trabalhado no teatro de revista e em comédia.
Trabalhou igualmente no cinema, como ator e realizador, tendo colaborado com António-Pedro Vasconcelos ("Jaime", "A Bela e o Paparazzo", "Os Imortais" e "Os gatos não têm vertigens"), João Botelho ("Corrupção") e Leonel Vieira ("A arte de Roubar"), entre outros.
Nicolau Breyner estava atualmente a participar nas gravações da telenovela da TVI "A Impostora".