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Mais de um milhar contra municipalização do Museu D. Diogo de Sousa em Braga

Mais de um milhar contra municipalização do Museu D. Diogo de Sousa em Braga

Mais de um milhar já assinou a petição online "Em defesa do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa", em Braga, apelando ao ministério da Cultura para que reverta a decisão de passar o museu para a gestão municipal.

Lusa /

Na petição, que contava com 1.090 assinaturas às 18:00 de hoje, lê-se que a "tutela municipal, recentemente anunciada pelo ministério da Cultura, não poderá responder ao seu papel regional, de apoio à investigação e de garante de boas práticas no âmbito da conservação e restauro que importa prosseguir, apelando a que seja reequacionada esta decisão".

A partir de 01 de janeiro de 2024, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) vai dar lugar a duas entidades distintas: o instituto público Património Cultural, com sede no Porto, e a empresa pública Museus e Monumentos de Portugal, com sede em Lisboa, ambos com obrigação de cumprimento de "eficiência económica nos custos" e uma "gestão por objetivos".

No âmbito desta reorganização, a gestão do Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, passará para o município e não para a empresa pública Museus e Monumentos de Portugal, responsável pela gestão dos museus que ficam sob a tutela do poder central.

"O museu desenvolve a sua atividade no âmbito da preservação, valorização e mediação do património arqueológico regional e nacional, tendo aberto ao público a 29 de junho de 2007, em instalações construídas de raiz, que integram todas as componentes técnicas de apoio à arqueologia, inventário, reserva, conservação e restauro, apoio à investigação, desenho arqueológico, estúdio e arquivo fotográfico, biblioteca especializada, além de áreas de exposição, de mediação e de fruição, como loja, cafetaria e jardins", refere a petição.

Os peticionários lembram que o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa expõe espólio representativo da ocupação humana do Norte do país, com evidências materiais do seu contexto cultural, datadas entre o Paleolítico e a Idade Média.

"O espólio da Pré e Proto-História, é proveniente na sua grande maioria de sítios arqueológicos do Noroeste Peninsular. Merece realce o espólio proveniente das escavações arqueológicas realizadas em Braga, a cidade romana de Bracara Augusta, a única capital de província do império romano em território português, e mais tarde capital do Reino Suevo", sublinha a petição.

Quanto a área expositiva, lembram, integra as salas de exposição permanente, assim como as reservas, o laboratório de conservação e restauro, a sala de desenho e estúdio de fotografia.

Além do espólio de origem nacional, o museu possui e expõe de forma permanente, uma coleção de cariz internacional, fruto da Doação Bühler-Brockhaus, que faz deste museu, segundo os peticionários, "uma referência incontornável na leitura da relação entre o território ocidental da Península Ibérica e o Mundo Mediterrânico na Antiguidade Clássica".

Contactada pela agência Lusa, a diretora do Museu D. Diogo de Sousa e do Museu dos Biscainhos -- uma única unidade orgânica - disse que não assinou a petição, sublinhando, contudo, que compreende as razões invocadas no documento, do qual é o primeiro subscritor o arqueólogo João Pedro Cunha Ribeiro.

Alexandra Lima assumiu estar contra a municipalização destes espaços e que fez constar essa posição do parecer que enviou durante o período de consulta.

Para esta responsável, é evidente que, em ambos os museus, há bens de interesse nacional, lembrando, por exemplo, que o imóvel onde está o Museu dos Biscainhos está classificado como bem de interesse publico, logo, de interesse nacional.

Alexandra Lima salienta que, não querendo menosprezar uma gestão municipal, a natureza dos dois museus e dos bens é "supramunicipal".

A diretora dos museus D. Diogo de Sousa e dos Biscainhos conta que, entretanto, a tutela já ouviu várias entidades e especialistas e, nesse sentido, está em crer que esta decisão seja reconsiderada por parte do ministério da Cultura.

A Câmara de Braga aprovou hoje, por unanimidade, uma moção contra a "desclassificação" dos museus D. Diogo de Sousa e dos Biscainhos que, com a reorganização decidida pelo ministério da Cultura, vão ter gestão municipal.

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