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Maria León regressa com novo álbum em nome próprio que apresenta no Clube Coliseu

Maria León regressa com novo álbum em nome próprio que apresenta no Clube Coliseu

A cantora e compositora Maria León está de regresso aos discos em nome próprio, do fim de 20 anos, com "Brumas do Luar, Lisboa, Mar e Alma", que apresentará a 15 de abril no Clube Coliseu, em Lisboa.

Lusa /
Foto: Divulgação

Em declarações à agência Lusa, a cantora referiu-se ao álbum como "feminino, mais dentro do universo clássico tradicional, mas também contemporâneo, pois vamos buscar elementos orgânicos como o piano clássico, o violoncelo e a guitarra clássica, aliando a uma poesia de uma certa portugalidade feminina".

O álbum "fala da alma portuguesa, de amor, de mar e de elementos da natureza muito ligados à nossa alma portuguesa, que de certa forma é feminina", acrescentou Maria León.

A cantora salientou que nunca esteve totalmente afastada da cena musical, tendo participado em vários projetos, designadamente do luso-britânico Chameleon Collective, do produtor Jonathan Miller, com quem tinha trabalhado quando fez parte da banda Ravel, no álbum "Quimera".

O britânico Miller trabalhou com outros grupos portugueses, nomeadamente os Delfins, no álbum "Ser Maior", e com o grupo Madredeus no trabalho "Espírito da Paz".

Nos Chameleon Collective, Maria León foi compositora e a cantora principal.

Com "Brumas do Luar, Lisboa, Mar e Alma", Maria León está de volta aos palcos em nome próprio, o que envolve "uma maior responsabilidade e disponibilidade absoluta". Este novo álbum sucede a "Coisas Simples" (2007).

"Este álbum já estava pensado há bastante tempo, simplesmente não tinha ainda reunido as condições necessárias para poder avançar, independentemente de ter estado na música. Entretanto, fui mãe, que me ocupou bastante tempo, tenho outras atividades paralelas, sou tradutora", disse.

O facto de ter atividades paralelas foi secundarizando a concretização do álbum que começou a tomar forma em finais de 2023, e a completar-se no ano passado, com o apoio do Fundo Cultural da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

"Comecei a pensar: vou assumir uma coisa mais séria, recuperar alguns temas que tenho na gaveta", disse Maria León, referindo "o negócio que se tornou a música" e o interesse das editoras discográficas em artistas novos, daí "ter posto de parte ir com uma maquete às editoras discográficas e {foi] diretamente à SPA".

"Reuni algumas canções, umas que já tinha escrito, outras mais recentes, e falei com as pessoas que queria ter na equipa para avançar neste projeto".

Neste álbum, com Maria León estão Carlos Maria Trindade e Emanuel Andrade (piano acústico), Carlos Tony Ramos (violoncelo), Pedro León (guitarra clássica), Thomas Zellner (guitarra acústica), Leopoldo Gouveia (baixo) e Christian Sheriff (percussões).

Como "convidados especiais", contam-se Pedro Jóia (guitarra clássica) e Rão Kyao (flauta transversal). A produção é de Fernando Cunha.

O resultado é um disco "dentro do universo feminino, que fala de amor, um bocadinho literário, porque eu sempre gostei de poesia e escrevi durante toda a minha vida".

Segundo Maria León, "Brumas do Luar, Lisboa, Mar e Alma" é "um disco sobre amor, saudade, mas uma saudade literária".

Nele, prossegue a cantora e compositora, "há uma personagem, uma contadora de histórias, neste caso sou eu, uma personagem sonhadora, literária, que fala de várias histórias, não só de amor, mas também de esperança, e de uma certa atração pelo mar, no fundo é uma poeta que canta".

A compositora teceu um paralelo entre as suas canções e as cantigas d`amigo dos trovadores medievais. "São como cantigas d`amigo contemporâneas", acentuou.

Entre as canções mais recentes que compôs citou "Miragem", em parceria com Rodrigo Leão, para uma letra sua.

Dos oito temas, mais dois extra, que constituem o álbum, a maioria tem a sua autoria, ou a letra ou a música, e em alguns casos ambas, como "Barquinho de Papel", que abre o disco, e "Brunas ao Luar".

Os dois temas extra, "que estão `escondidos`, são a essência de outras duas canções do alinhamento" - "Barquinho de Papel" e "Brumas do Luar". "São as maquetes", porque a compositora "quis trazer ao álbum, um bocadinho do rascunho".

Os temas, acrescentou Maria León, surgem "dentro desta poética do feminino, da natureza e de um romantismo literário".

Do alinhamento faz parte "Presságio", de Fernando Pessoa, poeta com o qual se identifica. Este poema já foi gravado por Salvador Sobral e Camané, aqui com música original de Maria León.

Outros temas são "Ao Deus Dará" (Carlos Maria Trindade), "A Sós" (Maria León/Pedro León), tema que inclui num subcapítulo do álbum, "Lisboa Bossa", numa alusão às influências musicais brasileiras, e que conta com outra canção assinada pelos mesmos autores, "Meu Grande Amor".

Este subcapítulo, justifica-se por se inserir "num disco mais clássico e orgânico, e é uma homenagem aos tempos de juventude" e ao seu irmão Pedro León, admirador da Bossa Nova e da Música Popular Brasileira.

"É este o álbum que tenho para mostrar, de uma pessoa que é sonhadora, que não desiste de fazer aquilo que gosta que é a sua música", declarou Maria León à Lusa.

Maria León canta desde cedo. Aos 15 anos gravou o seu primeiro disco com Nuno Rodrigues (1949-2025), músico da Banda do Casaco, o que faz com que cante profissionalmente há cerca de 30 anos.

A cantora e compositora afirma-se como "humanista, artista que acredita na inspiração", abdicando de outros processos como a Inteligência Artificial. "Sendo a evolução, prefere a criação por si" e defendeu "a música portuguesa para portugueses, que gostem de ir ao café, ler os nossos escritores".

O álbum "Brumas do Luar, Lisboa, Mar e Alma", segundo a sua criadora "não é de moda", pois não é pop, mas "é genuinamente português".

Com o álbum concluído, Maria León gostava que as rádios passassem as suas canções.

 

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