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Reações à morte de António Lobo Antunes. "Um enorme embaixador da língua portuguesa"

Reações à morte de António Lobo Antunes. "Um enorme embaixador da língua portuguesa"

O escritor português morreu aos 83 anos.

Cristina Sambado, Carlos Santos Neves - RTP /
Mário Cruz - Lusa

(em atualização)

Conhecida a notícia da morte de António Lobo Antunes, esta quinta-feira, a ministra da Cultura foi a primeira voz do Governo a prestar tributo àquele que considerou ser um "escritor maior" e "intérprete sensível".

"É com profundo pesar que lamentamos a morte de António Lobo Antunes, escritor maior de Portugal, intérprete sensível e incomparável da condição humana, um dos nossos autores mais reconhecidos das últimas décadas", reagiu Margarida Balseiro Lopes em mensagem divulgada na rede social X.


Na perspetiva da ministra, Lobo Antunes deixa "um legado brilhante e inesquecível".

O primeiro-ministro recorreu igualmente ao X para prestar "muito sentida homenagem a Antonio Lobo Antunes - figura maior da cultura portuguesa".

"O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e por isso continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos", escreveu Luís Montenegro.


"Em meu nome pessoal e em nome do Governo, expresso as mais sentidas condolências à família e aos amigos", concluiu.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, lamentou a morte do escritor, descrevendo-o como "enorme embaixador da língua portuguesa".

"Como poucos revelou as vísceras da alma e as sinopses do corpo. Uma lucidez distante que não é desdém mas desapego. Um enorme embaixador da língua portuguesa", escreveu Paulo Rangel no X.
Marcelo homenageia escritor com grande-colar da Ordem de Camões

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte de António Lobo Antunes, a quem prestou homenagem anunciando que vai depositar junto dele o grande-colar da Ordem de Camões.

Numa nota de pesar publicada no site oficial da Presidência da República,  Marcelo Rebelo de Sousa considera que Lobo Antunes deixa "uma bibliografia vasta, visceral, sofisticada em termos narrativos, atenta ao quotidiano, e muito tributária de experiências como a guerra e a prática clínica da psiquiatria" e que "ninguém terá sido mais imitado pelas gerações seguintes".

"Seu leitor, admirador e amigo há décadas, pude em 2022 atribuir-lhe as insígnias da grã-cruz da Ordem de Camões, com a certeza de que poucos representaram tão bem a grandeza literária de um país territorialmente pequeno. Vou agora depositar junto dele o grande-colar da mesma ordem, símbolo máximo da literatura portuguesa", acrescenta o chefe de Estado.
"Escritor de rara coragem intelectual"
O presidente da República eleito, António José Seguro, recebeu com "enorme tristeza" a notícia da morte de António Lobo Antunes, cuja obra considerou "profundamente marcada pela lucidez" e "exigência moral" para com o país e a condição humana.

"A sua obra, profundamente marcada pela lucidez, pela memória e pela exigência moral com que olhou o país e a condição humana, ocupa um lugar incontornável na nossa cultura. Ao longo de décadas, os seus livros desafiaram leitores, abriram caminhos na literatura e deram à língua portuguesa uma expressão singular de intensidade e verdade", escreveu António José Seguro na rede social Instagram.

Para o presidente eleito, "António Lobo Antunes foi um escritor de rara coragem intelectual, capaz de transformar a experiência individual e coletiva em literatura de grande fôlego"."A sua escrita ficará como um testemunho poderoso do nosso tempo e como um património duradouro da cultura portuguesa", escreveu Seguro, que referiu ter recebido "com enorme tristeza a notícia da morte de António Lobo Antunes, uma das vozes maiores da literatura portuguesa contemporânea".

"Neste momento de pesar, apresento as minhas mais sentidas condolências à sua família, aos seus amigos e a todos os leitores que, em Portugal e no mundo, encontraram nos seus livros uma forma única de compreender a vida. A melhor homenagem que lhe podemos prestar será continuar a ler a sua obra e a reconhecer nela uma parte essencial da nossa memória cultural", acrescentou.

Aguiar-Branco afirma que "revolucionou a literatura nacional"O presidente da Assembleia da República manifestou profundo pesar pela morte do escritor e médico António Lobo Antunes, considerando que revolucionou a literatura nacional e que deixa uma obra extensa premiada em Portugal e no estrangeiro.

Numa mensagem publicada na página da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco manifesta "profundo pesar pela morte de António Lobo Antunes".

"Escritor e médico psiquiatra, revolucionou a literatura nacional. Deixa uma obra extensa, premiada em Portugal e no estrangeiro", escreve o presidente do parlamento.

José Pedro Aguiar-Branco deixa depois uma mensagem de "sentidas condolências" à família e amigos do escritor.
"O verdadeiro escritor"

Por sua vez, a editora Dom Quixote veio reafirmar o compromisso com a divulgação e promoção de uma obra "cuja importância ultrapassou fronteiras".

"Foi com profunda tristeza, e ainda a recuperar do choque, que recebemos a notícia, esta manhã, da morte de António Lobo Antunes, nome maior da literatura portuguesa, autor de romances que ficarão para sempre na memória dos seus leitores e admiradores", lê-se em mensagem publicada nas redes sociais da editora de António Lobo Antunes.



A Dom Quixote compromete-se "a continuar a trabalhar e a promover a sua obra, cuja importância ultrapassou fronteiras" e "despede-se assim do grande escritor português, o verdadeiro escritor, que dedicou toda a sua vida à literatura, prestando-lhe a devida e merecida homenagem e deixando sentidas condolências à sua família, aos seus amigos e aos seus leitores".

Para Ana Rita Bessa, presidente do grupo Leya, António Lobo Antunes “é e será uma voz maior da literatura portuguesa”. Refere que o escritor expressava as palavras com profunda liberdade, sem pudor e colocava na escrita as “suas zangas, as suas questões e as suas memórias”.

O antigo secretário de Estado, Francisco José Viegas, também escritor e editor literário, recorda um estilo novo que António Lobo Antunes trouxe aos romances em Portugal - a forma como as personagens se misturam com a voz do escritor - sempre entre a prosa e a poesia, e dá como exemplo frases como "não entres tão depressa nessa noite escura, ou amar uma pedra".

O antigo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, que foi amigo de António Lobo Antunes, recorda as capacidades literárias, mas também o lado humano do escritor.

Já o encenador e antigo diretor do Teatro São João, Nuno Cardoso, recorda a peça "Fado Alexandrino" - uma peça que encenou, a partir de um texto de António Lobo Antunes foi um momento feliz, mas difícil.

Gonçalo M. Tavares, vencedor do Prémio Camões, recorda Lobo Antunes como "o escritor maior" que mistura "o cómico com o trágico".


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