Obra de Almada Negreiros entrou na coleção do museu espanhol Rainha Sofía

O museu espanhol Centro de Arte Rainha Sofía, em Madrid, incorporou nas suas coleções a obra "La tragédia de Doña Ajada", do artista português José de Almada Negreiros, anunciou a instituição.

Lusa /
Exposição 'Pessoa. Toda a arte é uma forma de literatura' no Museu do Centro Nacional de Arte Reina Sofía Centro Nacional de Arte Reina Sofía

Trata-se de um conjunto de desenhos de 1929 que formaram a "lanterna mágica" da obra "A tragédia de Dona Ajada. Poema bufo sinistro para canto, recitação, lanterna mágica e grande orquestra", com música do compositor espanhol Salvador Bacarisse e poemas do também espanhol Manuel Abril, disse à Lusa fonte oficial do Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia.

Esta foi uma das 249 obras de 42 artistas doadas no ano passado ao Rainha Sofía, num valor que ascende cerca de três milhões de euros, segundo o museu.

No total, o Rainha Sofia incorporou 404 obras novas de 130 artistas, num valor de 10,6 milhões de euros, nas coleções do museu, em 2025, segundo um comunicado divulgado esta semana.

José de Almada Negreiros (1893-1970) viveu em Madrid entre 1927 e 1932 e trabalhou, nesse período, com várias instituições e artistas espanhóis.

"Deixou obra em vários lugares da capital, além de colaborações na imprensa e projetos cenográficos", destacou em outubro de 2024 o ministro da Cultura de Espanha, Ernest Urtasun, no primeiro dia de exposição no Rainha Sofía do quadro "Autorretrato num grupo", de José de Almada Negreiros.

O quadro esteve exposto no museu espanhol durante meses, numa sala em que estão obras de artistas como Salvador Dalí e contígua àquela em que está em permanência "Guernica", de Pablo Picasso, no âmbito da 22.ª edição da Cultura Portugal, um programa com dezenas de iniciativas culturais em diversas cidades de Espanha e Andorra, organizado pela Embaixada de Portugal em Madrid.

"A guerra e o abandono apagaram a sua marca [de Almada Negreiros] em Madrid e impuseram o silêncio. Este novo regresso enche-se de significado porque apela uma memória partilhada entre Espanha e Portugal, porque reforça um vínculo de amizade e porque nos fala dessa criatividade que se sobrepõe sempre às guerras, às ditaduras e à censura", acrescentou então o ministro espanhol.

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