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Organizador cancela festival de música com artistas japoneses em Macau

Organizador cancela festival de música com artistas japoneses em Macau

A empresa que estava a organizar um festival de música da Coreia do Sul em Macau, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio.

Lusa /
Maxim Shemetov - Reuters

A empresa MBC, uma emissora sul-coreana, confirmou o cancelamento do `Show! Music Core in Macau`, que estava marcado para 07 e 08 de fevereiro, no Local de Espetáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo local.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, a MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada "após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais".

"Analisaremos a possibilidade de voltar a avançar com o festival caso a situação esteja mais estável no futuro", acrescentou a empresa.

O programa do festival incluía vários nomes da K-pop (música pop sul-coreana) com membros japoneses, entre as quais o grupo masculino Enhypen, que integra o nipónico Ni-Ki, e a banda feminina Le Sserafim, que integra a japonesa Sakura.

Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para atuar em Macau.

A Lusa tentou confirmar esta informação junto dos Serviços de Imigração da Polícia de Segurança Pública, o Instituto Cultural (IC) de Macau e a Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais, mas não obteve qualquer resposta.

Em 12 de dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores.

"Acho que diferentes partes têm os seus fatores de ponderação", disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa.

"É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente", acrescentou.

Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que "esta é uma questão do setor comercial, é uma decisão do organizador".

"Não tenho mais nada a acrescentar", sublinhou a dirigente.

Em 09 de dezembro, o hotel-casino Venetian Macau anunciou o cancelamento de um concerto da cantora de `pop` japonesa Ayumi Hamasaki, em 10 de janeiro. Isto após o espetáculo de Hamasaki em Xangai, em 29 de novembro, ter sido cancelado.

Um dia antes, tinha também sido cancelado um espetáculo de Natal, previsto para 25 de dezembro, em outro hotel-casino, Studio City, que incluía a banda feminina Say My Name, que integra a japonesa Hitomi Honda.

No mesmo dia, foi cancelado um terceiro espetáculo, desta vez da banda Hi-Fi Un!corn, grupo que integra artistas japoneses, marcado para 21 de dezembro num terceiro hotel-casino, Galaxy Macau.

Já em janeiro, a cantora japonesa Mika Nakashima anunciou o cancelamento, "devido a circunstâncias incontornáveis", de um concerto previsto para 14 de março no hotel-casino Londoner Macau - que pertence ao mesmo grupo do Venetian Macau.

Em novembro, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, dias depois da primeira-ministra nipónica ter falado sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan.

Sanae Takaichi afirmou no parlamento que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse "o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão".

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