Parlamento cria comissão para transladar restos mortais de Aquilino Ribeiro
A Assembleia da República (AR) vai criar uma comissão para definir a data e orientar a transladação dos restos mortais do escritor Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional, publica o Diário da República.
O presidente da AR, Jaime Gama, tinha proposto a trasladação do autor português, falecido em 1963, em Outubro do ano passado, durante uma conferência de líderes parlamentares, pedindo-lhes que reflectissem sobre a matéria.
A proposta, aprovada a 08 de Março deste ano pela AR e hoje publicada no Diário da República, determina a constituição de uma comissão, composta por representantes de cada grupo parlamentar, com a incumbência de determinar a data, definir e orientar o programa de trasladação.
Também será criado um grupo de trabalho com a finalidade de assegurar a execução da trasladação, em articulação com as entidades públicas envolvidas neste processo de homenagem ao escritor, nascido em 1885, em Carregal da Tabosa, concelho de Sernancelhe (Beira Alta).
Aquilino Ribeiro, que está sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, será transladado para o Panteão Nacional, onde ficará ao lado de outras figuras da literatura portuguesa como Almeida Garrett e Guerra Junqueiro.
Manuel de Arriaga, o mais recente, em 2004, Amália Rodrigues, João de Deus, Sidónio Pais e Humberto Delgado são outras personalidades nacionais sepultadas com honras de Estado no Panteão Nacional.
Aquilino Gomes Ribeiro fez os primeiros estudos em colégios de padres, e depois estudou Filosofia e Teologia em Viseu e Beja, vindo mais tarde a dedicar-se ao jornalismo, em Lisboa, onde se ligou ao movimento republicano, participando activamente na revolução que antecedeu a queda da Monarquia.
Estas posições valeram-lhe a prisão, mas conseguiu evadir-se e fugir para França, onde viveu no exílio até à proclamação da República, em 1910.
Regressou depois a Paris para estudar na Sorbonne e viveu na Alemanha, onde se casou.
Com a eclosão da primeira Guerra Mundial voltou para Portugal, trabalhando como professor do Liceu Camões e como segundo- bibliotecário da Biblioteca Nacional.
Ligado ao grupo Seara Nova, o seu envolvimento em movimentos revolucionários forçou-o à clandestinidade durante um longo período.
Na sua vasta obra literária destacam-se obras de ficção, ensaio e biografia.
Algumas das suas obras mais referenciadas são "Jardim das Tormentas", "Andam Faunos pelos Bosques", "Volfrâmio", "A Casa Grande Romarigães", "Quando os Lobos Uivam" e "O Malhadinhas".