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Partido com rosto mas ainda sem coluna vertebral

por Cláudia Almeida
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Já nas livrarias, o primeiro estudo académico sobre o partido Chega, com o título "A Nova Direita Anti-Sistema - O Caso do Chega". Em cerca de duzentas páginas, a história do nascimento e dos fundadores do primeiro partido de "direita anti-sistema" com representação parlamentar. Desde a eleição de André Ventura como deputado, com 1,3% dos votos em Outubro de 2019, o Chega passou de 700 filiados para 10 mil.

A investigação é da autoria de Riccardo Marchi, professor convidado do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Autor de vários livros sobre os partidos de direita em Portugal, a sua área de investigação é o radicalismo de direita.
À Antena 1 esclarece que o termo "direita anti-sistema" é usado pelo próprio partido.

Por ser um partido com vida muito curta, faltam dados sobre o perfil do votante neste partido. Mas, de acordo com um estudo embrionário consultado pelo autor, registam-se diferenças entre os votantes do Chega e os votantes noutros partidos da direita radical europeia. Por outro lado, a investigação de Riccardo Marchi conclui que a presença do Chega na sociedade portuguesa enfraquece as bases residuais da extrema-direita.

2021 vai ser um ano decisivo para o Chega: o líder do partido, André Ventura, já anunciou a candidatura às presidenciais e as autárquicas vão servir de teste para a verdadeira força política do partido a nível regional.

Riccardo Marchi considera este livro, "A Nova Direita Anti-Sistema - O Caso do Chega", uma obra diferente. Por ter sido escrita em tempo record e a partir de um corpo de análise científica ainda em formação. O objectivo foi conhecer, estabelecer e compilar informação sobre o núcleo fundador do partido.

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