Quinta edição de Mostra de Cinema Anti-Racista impõe olhar sobre minorias ao Porto

| Cultura

A quinta edição da Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista (MICAR) decorre no Teatro Municipal Rivoli, no Porto, de 04 a 07 de outubro, com um olhar sobre "a questão das minorias".

A mostra, de entrada gratuita mediante levantamento de bilhete, combina filmes recentes com clássicos do cinema, como "12 Homens em Fúria", de Sidney Lumet, para um olhar transversal sobre a descriminação e transgressões de direitos individuais.

À Lusa, Nuno André Silva, um dos programadores do festival e dirigente da SOS Racismo, organização que dinamiza a mostra, explicou que o foco "na questão das minorias" está em linha com as edições anteriores, uma vez que os temas são "sempre mais ou menos os mesmos", ou seja, em torno da descriminação racial.

"Desta vez, queríamos que se focassem temas referentes a minorias, grupos populacionais que, tendo em conta as suas características, sofrem discriminação", explicou.

Entre os destaques da programação está, pela primeira vez, um filme sobre o conflito israelo-palestiniano, "Road to apartheid", uma obra de 2012 realizada pela sul-africana Ana Nogueira e pelo israelita Eron Davidson, que compara a ocupação por parte de Israel ao `apartheid` aplicado na África do Sul, na segunda metade do século XX.

Agendado para sexta-feira, pelas 21:30, e seguido de um debate, o filme foi incluído na programação depois de a organização ter pesado "dois factos, a deslocação da embaixada norte-americana para Jerusalém (...) e as recentes alterações legislativas em Israel, que basicamente tornam legal a discriminação de cidadãos pela sua religião", o que suscitou comparações.

Na sexta-feira, dia 05, nota ainda para "Vénus Negra", filme de 2010 de Abdellatif Kechiche, realizador franco-tunisino que recebeu a Palma de Ouro em Cannes por "A Vida de Adèle", em 2013, e "Golden Dawn Girls", do norueguês Havard Bustnes.

A curta-metragem documental "Dignidade" tem estreia durante o festival, pelas 17:30 de dia 06, num trabalho de Catarina Príncipe e Pedro Rodrigues sobre a comunidade de etnia cigana que vive desde 1984 no conjunto habitacional da Marinha, no distrito de Aveiro.

A noite de dia 06 está reservada a filmes portugueses, com a curta-metragem de 2016 "Mikambaru", de Vanessa Fernandes, e "Nós Terra", filme de 2010 realizado por Anna Tica, Nuno Pedro e Toni Polo, exibidos pelas 21:30, já depois de "12 Homens em Fúria", pelas 15:00, e de uma sessão que junta "Dignidade" ao australiano "Charlie`s Country", de Rolf de Heer, às 17:30.

Outro dos destaques é "Genesis", do húngaro Arpád Bognan, que se estreou na secção Panorama do Festival de Cinema de Berlim, exibido pelas 21:30 de dia 07, em jeito de encerramento, mas também há a produção escandinava "Sami Blood", que Amanda Kernell realizou com produção sueca, norueguesa e dinamarquesa, pelas 15:00.

O primeiro dia da mostra é dedicado a um público infanto-juvenil, num esforço "que existe desde a primeira edição", que permite "ter um espaço para este público e uma relação com escolas da cidade", com a qual trabalham os temas abordados.

Este ano, duas escolas do agrupamento Alexandre Herculano vão aprofundar os temas retratados nas `curtas` de dia 04, numa colaboração com outro projeto da associação, o Catapulta

Na primeira `leva`, que arranca pelas 10:30, é realizado "um jogo que permita trabalhar a questão das diferenças", uma vez que é dedicada ao segundo ciclo, enquanto a segunda, pelas 11:30, aponta para o terceiro ciclo do ensino básico e "já terá um debate, estruturado".

O programa do primeiro dia inclui obras como "Sou Cigano", a partir do livro "A História do Ciganinho Chico", do ativista Bruno Gonçalves, mas também "About Coati", da russa Alexandra Slepchuk, ou o checo "The little one", de Diana Camvan Nguyen.

Nos planos da organização tem estado, nos últimos anos, a realização de extensões do evento noutras cidades, como em Lisboa, onde teriam "mais público", apesar de a assistência nas primeiras quatro edições "superar sempre as expetativas iniciais".

Os "escassos recursos económicos" impedem a concretização do plano, uma vez que a mostra se faz "essencialmente com trabalho voluntário de ativistas da SOS Racismo", além do apoio do Teatro Municipal do Porto e de "um patrocínio ligeiro da Transform! Europe", uma rede europeia de várias organizações dedicadas "ao pensamento alternativo e diálogo político".

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