Sala de Referência da Biblioteca Nacional para o centenário de Blanc de Portugal

| Cultura

O centenário de nascimento do poeta, cientista e crítico José Blanc de Portugal é assinalado pela Biblioteca Nacional, a partir de hoje, com uma exposição na Sala de Referência da instituição, em Lisboa.

Nascido a 08 de março de 1914, José Bernardino Blanc de Portugal foi meteorologista, investigador, docente universitário, mas distinguiu-se sobretudo como poeta, tradutor, crítico de música e de dança, numa época que também revelou Eugénio de Andrade, Alexandre O`Neill, David Mourão-Ferreira, António Ramos Rosa ou Sophia de Mello Breyner Andresen.

Defendia a poesia que "resulta de um compromisso firmado entre um ser humano e o seu tempo" e via o poeta como um ser capaz de "todo o passado íntegro no presente, e de transformar o presente integralmente em futuro", com "lucidez, compreensão e independência", como se lia nos Cadernos de Poesia que fundou na década de 1940, com Tomás Kim e Rui Cinatti, e que reuniram personalidades como Jorge de Sena e José-Augusto França.

Fez estudos de História da Música e Psicologia, além das Ciências Geológicas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Publicou as primeiras obras na juventude. Colaborou nas revistas Aventura, Serpente, Graal, Litoral, Tempo Presente, nos anos de 1940-50, antes da colaboração na Colóquio Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian, que o homenageou em 1994, com o colóquio "Nos 80 anos de José Blanc de Portugal".

Além de ensaios científicos e de trabalhos de crítica musical e de dança, Blanc de Portugal traduziu autores como Truman Capote, G.K. Chesterton, Carlo Coccioli, T.S. Eliot, Cristopher Fry, Carl Jung, Pitágoras, William Shakespeare. Foi um dos pioneiros na divulgação de Fernando Pessoa.

Estreou-se em livro com "Parva Naturalia", distinguido com o Prémio Fernando Pessoa, em 1960, a que se seguiram, entre outros, "O Espaço Prometido", "Anti-Poética" e "Odes Pedestres" (Prémio Casa da Imprensa) e "Enéadas" (Prémio do P.E.N. Club Português, pelo livro e pelo conjunto da obra).

"Memorabilia", com o artista plástico Vespeira, "Quaresma abreviada" e "Estrofes" contam-se entre os seus últimos títulos poéticos. No ensaio destacam-se "Anticrítico" e "Quatro Novíssimos da Música Actual".

Blanc de Portugal está traduzido em França, Espanha, Reino Unido, Alemanha e Suécia.

Foi adido cultural da embaixada portuguesa em Brasília, vice-presidente do Instituto da Cultura Portuguesa, lecionou na Faculdade de Ciências e na Sociedade Nacional de Belas Artes. Fez parte do Conselho das Ordens Nacionais, do Conselho Português da Música e do Conselho Português da Dança, no âmbito da UNESCO. Recebeu a Ordem do Infante D. Henrique e a medalha Oskar Nobiling da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura.

José Blanc de Portugal morreu em maio de 2000. A sua obra, como escreveu Jorge de Sena, "caracteriza-se por uma dignidade de tom, uma severidade austera da expressão, um fôlego contido, os quais, (...) através de um humor quase negro ou de uma ternura discretíssima, repercutem, como em raros outros poetas contemporâneos, uma áspera consciência trágica das contradições do mundo moderno".

A exposição na Biblioteca Nacional recolhe testemunhos da vida de Blanc de Portugal, mostra edições da sua obra e fica patente até 31 de maio.

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