Cultura
Sala esgotada em Lisboa na homenagem ao rapper moçambicano Azagaia
A Casa Independente foi pequena demais para todo o público que esperava poder participar no concerto organizado em nome de Edson da Luz, músico e ativista moçambicano mais conhecido por Azagaia.
Dezenas ficaram à porta para pena de quem se deslocou ao bairro do Intentende em busca de Azagaia.
Mesmo assim estiveram 350 pessoas, a lotação máxima deste espaço lisboeta localizado em Arroios.
Ainda a viver o luto, um grupo de amigos reuniu-se em Lisboa e espalhou a novidade: um concerto coletivo de várias nações com a língua portuguesa como motor.
" Vampiros" abriu a noite e num vídeo via-se e ouvia-se " o mano Azagaia" ora a dar entrevistas, ora a cantar. Matar saudades de Azagaia começou por ser assim através de um écran colocado no palco enquanto a DJ Indira Mateta aquecia a audiência.
Uma das organizadoras, Magda Burity, vestiu a t-shirt mais vista da noite - uma que tinha a imagem de Azagaia. Era a cara da felicidade. A ideia era fazer o que não se conseguia em Moçambique : uma festa sem pertubações policiais e com a presença de 17 artistas de várias nacionalidades.
Da voz do jazz Maria João, ao sobrinho de Zeca Afonso, João Afonso - ambos moçambicanos - Do português Sérgio Godinho ao descendente de São Tomenses - o rapper Valete, do angolano Paulo Flores a Luís Caracol, o desfile de músicos terminou pela madrugada para lembrar o artista falecido inesperadamente a 9 de Março passado.
A terminar, Skuru Fitchadu, artista cabo-verdiano, juntou o funaná ao punk electrizante.
Supresa da noite, Luaty Beirão, ativista angolano, surgiu disfarçado dos pés à cabeça com um macacão completo de licra que tapava o corpo em geral, as mãos e a cabeça em particular. Ali era o Ikonoklasta a cantar hip-hop.
Depois do sucesso desta quinta-feira Magda Burity já pensa em concertos parecidos em vários países como por exemplo, o Brasil, porque " Azagaia agora é Património".