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Sons da Lusofonia anda há 30 anos a misturar Lisboa e a "descolonizar o ouvido"

Sons da Lusofonia anda há 30 anos a misturar Lisboa e a "descolonizar o ouvido"

Associação Sons da Lusofonia (ASL) celebra 30 anos esta quinta-feira com o anúncio de dois novos projetos, o dia do Mediterrâneo e a Rede de Inclusão Social, e um concerto, disse à Lusa o diretor.

Lusa /

"Tivemos informação de que o presidente da Câmara de Lisboa estaria disponível para fazer um concerto celebratório dos 30 anos", adianta Carlos Martins, revelando que a "data ainda não está fechada", e que a proposta vai além do ponto de vista artístico, juntando "diferentes culturas, diferentes religiões, diferentes artistas, diferentes áreas, diferentes saber fazer".

Apontando o verão como data provável para o evento, apoiado pela autarquia, Carlos Martins refere que o concerto é importante para a ASL: "não tanto para celebrar o passado, mas porque queremos celebrar, confrontando o futuro".

Neste ano, em que assinala 30 anos de atividade, a associação desenvolve um conjunto alargado de projetos que cruzam criação artística, inclusão social, investigação e programação cultural, reforçando o papel da escuta e do som como ferramentas de bem-estar, cidadania e direito à cidade.

"Queremos trabalhar para que as pessoas não sintam necessidade de gritar, mas sintam necessidade absoluta de escutar", diz Carlos Martins, lembrando que os extremismos que hoje se instalam em Portugal não gostam disso "gostam de gritar, panfletar e bombear as pessoas com falsidades e mentiras".

O trabalho da ASL, vai no sentido de reforçar os contactos com outros parceiros. "Não tanto para lutar contra os extremismos", explica o músico, mas antes "para que as pessoas possam deixar de ser tão individualistas, tanto eu contra os outros, nós contra os outros".

Exemplos disso são o Lisboa Mistura e a Festa do Jazz, festivais já consagrados no panorama cultural da cidade de Lisboa, e com maior visibilidade, mas que acontecem a par dos restantes programas da associação, o D`Improviso , o Mapeamento, o Jazz Panorama Portugal a Jazz Opa, o Fora do Centro, ou a Oficina Portátil de Artes (que faz este ano 20 anos), "trabalhos muito importantes, que se complementam e facilitam o acesso à cultura", evidencia o responsável.

Com novas iniciativas e projetos de continuidade em quatro áreas de intervenção --- mediação cultural, criação e capacitação artística, programação e investigação -, a ASL persiste em "promover a mudança e o acesso à cultura", sublinha.

É esse o propósito da criação da Rede de Inclusão Social, com o objetivo de dar " mais visibilidade às mulheres na área do jazz".

O projeto de arte participativa com dimensão nacional, realiza-se em parceria com a Jazz ao Centro Clube e a Orquestra de Jazz de Matosinhos e conta com o acompanhamento internacional do investigador François Matarasso.

"Há poucas mulheres a tocar jazz em Portugal, comparado com outros países da Europa", salienta Carlos Martins. "Queremos trabalhar para que nos festivais, e que na vida das mulheres em particular, que fazem música improvisada, neste caso, possa haver mais abertura, mais permeabilidade e mais possibilidades de trabalho", acrescenta.

"Criar novas formas de estar, para trazer as pessoas para mais perto das práticas artísticas, e assim para mais perto da liberdade e da democracia, criar autonomia de pensamento", são também linhas orientadoras do trabalho da ASL, que este ano aposta na sustentabilidade e assinala o dia do Mediterrâneo (28 de novembro), outra das novidades da programação.

A ASL associou-se à Fundação Anna Lindh (FAL), organização internacional euro-mediterrânica focada no diálogo intercultural entre sociedades do norte e sul do Mediterrâneo, "trazendo para os ambientes sónicos da cidade a importância deste grande mar da comunicação".

"Aquela parangona universalista de dizer que queremos mudar o mundo e melhorar o mundo, é verdade, queremos e não vamos parar de tentar", afiança Carlos Martins, determinado em "ajudar nas governações da cidade, para ajudar as pessoas, para descolonizar o ouvido".

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