Vitória justíssima de Manuel Alegre como poeta e figura cívica - Júri

por Lusa

A professora Paula Morão, presidente do júri que distinguiu o poeta português Manuel Alegre, com o Prémio Camões, disse à Lusa que a sua vitória é "justíssima", pois o autor é um grande poeta e uma figura cívica importante.

"Penso que faz todo o sentido e que o prémio Camões é uma referência fundamental para a obra de Manuel Alegre. Considero o prémio justíssimo e adequado, pelo escritor e pela figura cívica que ele é", disse.

Paula Morão destacou que o autor começou a publicar poesia em 1955 e tem também obras muito importantes de ficção. Para ela, a obra de Manuel Alegre, como um todo, "traz uma reflexão importante sobre a sociedade portuguesa".

A especialista lembrou que vários dos poemas de Manuel Alegre são conhecidos do povo português, já que foram transformados em música por artistas consagrados como Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Luís Cília, Manuel Freire, António Portugal, Janita Salomé e João Braga e outros.

Paula Morão acrescentou que Manuel Alegre mantém relevante intervenção pública, pois, além de escritor, também se dedicou à atividade política, tendo sido deputado na Assembleia Constituinte e nas diferentes legislaturas, até 2009, e candidatou-se igualmente ao cargo de Presidente da República Portuguesa.

Como poeta, começou a destacar-se nas coletâneas "Poemas Livres" (1963-1965). Mas o grande reconhecimento nasceu com os seus dois volumes de poemas, "Praça da Canção" (1965) e "O Canto e as Armas" (1967), apreendidos pelas autoridades antes do 25 de Abril, mas com grande circulação nos meios intelectuais", lê-se no comunicado hoje divulgado, pelo Governo português.

Esta é a 29.ª edição do Prémio Camões e o júri foi constituído por Paula Morão, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Maria João Reynaud, professora associada jubilada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, José Luís Jobim, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Lourenço do Rosário, reitor da Universidade Politécnica de Maputo e pelo poeta cabo-verdiano José Luís Tavares.

CYR (NL) // MAG

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