Accionistas do BCP voltam a reunir-se
Os accionistas do Banco Comercial Português retomam hoje a assembleia geral extraordinária interrompida a 6 de Agosto, não se sabendo se há um acordo que permita trazer estabilidade ao maior banco privado português.
A assembleia geral de accionistas do BCP de 6 de Agosto, que decorreu no edifício da Alfândega, no Porto, foi suspensa, até 27 de Agosto, antes de se iniciar a ordem de trabalhos, devido a um problema informático que impossibilitava o registo das votações.
Esta reunião de accionistas era considerada essencial para solucionar o conflito que opõe os grupos de apoiantes (accionistas e quadros) do presidente do conselho de administração do banco, Paulo Teixeira Pinto, e do fundador e presidente do conselho geral e de supervisão da instituição financeira, Jorge Jardim Gonçalves.
Depois do conflito claro entre grupos de accionistas e quadros do banco sobre o modelo de governação da instituição financeira, nas duas últimas assembleias gerais, a construtora Teixeira Duarte iniciou um processo negocial com accionistas institucionais do banco para tentar encontrar um consenso.
As negociações aceleraram na semana passada, tendo um accionista do banco envolvido nestes contactos dito à Lusa, a 23 de Agosto, que já havia um entendimento entre um grupo alargado de accionistas institucionais, o que foi negado por uma fonte oficial do conselho geral e de supervisão.
Esse entendimento passava por um esvaziamento da assembleia geral extraordinária de hoje, com os proponentes a retirarem todos os pontos da ordem de trabalhos, limitando-se os accionistas a votar, apenas, uma proposta de alteração ao ponto número 7, que previsse o alargamento do número de membros do conselho geral e de supervisão, de 11 para entre 14 a 16 pessoas.
O representante de um dos accionistas envolvidos nas negociações disse à Lusa que um possível entendimento terá de passar, também, por um compromisso em relação à mudança do modelo de gestão do banco, do actual sistema dualista para o sistema monista, em que existe um conselho de administração alargado e a sua fiscalização está entregue a um conselho fiscal.
Só que, nem todos os accionistas aceitam assinar uma declaração em que se comprometem a alterar os estatutos do banco e alguns dos accionistas que apoiam Jardim Gonçalves, entre os quais a seguradora Eureko, como noticiou o Jornal de Negócios on-line, rejeitam que sejam eleitos quatro novos membros para o conselho geral.