Aço e alumínio do Canadá e do México taxados até 50% pelos EUA

A Casa Branca confirmou esta quarta-feira que os direitos alfandegários sobre a entrada de aço e de alumínio oriundos dos vizinhos México e Canadá vão ser taxados em 25 por cento em acumulação com os 25 por centro impostos aos restantes produtos dos dois países.

RTP /
Barras de aço produzidas no México para exportar para o sEUA Jose Luis Gonzalez - Reuters

Esta última tarifa está atualmente suspensa mas, se entrar em vigor a 1 de março, isso irá significar que, a partir de 12 de março, tanto o aço como o alumínio serão tarifados a uma taxa de 50 por cento, confirmou uma fonte da Casa Branca à Agência France Press.

A revelação surge no mesmo dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a pedir o corte nas taxas de juro da FED, em paralelo com a sua política de aumento de tarifas. 

Trump considera a redução das taxas como uma medida necessária para reativar a economia e a indústria no país, a par da imposição de tarifas mais elevadas sobre as importações.

Ambas as medidas podem afetar a inflação, que, soube-se pouco depois, subiu para os três por cento em janeiro. "A inflação de Biden sobe!" reagiu Trump na sua rede Truth Social, apontando o dedo ao seu antecessor, Joe Biden.

O presidente quer influenciar a Reserva Federal, que decide a política monetária, a descer as taxas de juro, algo a que o presidente da Fed, Jerome Powell, tem resistido.

Ainda na terça-feira, Powell considerou não ser chegado o momento de mexer nas taxas de juro. "Não precisamos de ter pressa para ajustar a nossa política", declarou perante o Senado.

O braço de ferro entre o presidente e a Fed promete continuar, enquanto Trump procura influenciar profundamente o edifício financeiro construído por Washington nas últimas décadas.
Alfândega como arma
Para já, Trump está a usar a economia para fazer política externa de uma forma pouco convencional.

A imposição de direitos aduaneiros agravados aos seus vizinhos diretos, visa por exemplo forçar o México e o Canadá a controlar melhor as suas fronteiras com os Estados Unidos.

Dia 1 de fevereiro, Trump impôs por isso direitos aduaneiros de 25 cento sobre todos os produtos provenientes do Canadá e do México, acusando os dois países de não lutarem suficientemente contra o tráfico de fentanil, um poderoso opióide que tem provocado uma grave crise sanitária nos EUA.

Dois dias depois, suspendeu estes impostos, considerando-se satisfeito com os primeiros gestos dos dois países vizinhos para reforçar o controlo das suas fronteiras e adiando a sua implementação por um mês para dar tempo a serem implementados.

Na passada segunda-feira, Trump assinou um decreto a impor a partir de 12 de março direitos aduaneiros de 25 por cento sobre o aço e o alumínio importados para os Estados Unidos, "sem exceção ou isenção". "E isso são todos os países", sublinhou o presidente a partir da Sala Oval.

Citando riscos para a "segurança nacional", o republicano publicou dois decretos visando o aço e o alumínio, independentemente da sua origem, incluindo parceiros económicos que anteriormente beneficiavam de isenções sobre estes dois produtos: Argentina, Austrália, Canadá, México, UE e Reino Unido.

Já Brasil, Japão e Coreia do Sul ficam privados da isenção de que beneficiavam para o aço e seus derivados.
"Um tiro no pé"
Na terça-feira, o ministro mexicano da Economia, Marcelo Ebrard, apelou ao presidente Trump para não "dar um tiro no próprio pé, não destruir o que construímos nos últimos quarenta anos".

"Os Estados Unidos vendem-nos mais (de aço e alumínio), por isso este imposto não se justifica", sublinhou o ministro, que detalhou que o país vizinho fornece ao México "quase 6,9 ​​mil milhões de dólares a mais" do que o México exporta para os Estados Unidos, segundo dados oficiais americanos de 2024.

O seu homólogo canadiano, Dominic LeBlanc, está em Washington na quarta-feira e deverá reunir-se com o principal conselheiro económico de Trump, Kevin Hassett, bem como com o futuro secretário do Comércio, Howard Lutnick, para discutir o assunto.

"Não acreditamos que as tarifas sejam a forma correta de agir, por isso não faremos nada até que os americanos tomem a sua decisão final", disse LeBlanc aos jornalistas.

com agências
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