Acordo do Mercosul é assinado hoje

É assinado este sábado, no Paraguai, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que visa unir economias dos dois lados do Atlântico e criar a maior zona de comércio-livre do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores.

Inês Moreira Santos - RTP /
Sofia Torres - EPA

Demorou mais de 25 anos de negociações, mas hoje a União Europeia e o Mercosul assinam o aguardado acordo. Num momento de crescente protecionismo global, este tratado tem como principal objetivo criar a maior zona de livre-comércio do mundo.

Depois de assinado, vai permitir aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul. E, no sentido oposto, vai facilitar a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.

Portugal sai beneficiado em setores como o azeite e o vinho, que são duas das principais exportações nacionais para o Brasil.

Os representantes de ambos os blocos vão estar presentes a partir das 11h30 (14h30 em Lisboa) no Grande Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai, na capital Assunção, um local carregado de simbolismo, por ter sido ali que o Mercosul foi lançado, em 1991.

O anfitrião do encontro será o presidente paraguaio, Santiago Peña, cujo país exerce a presidência rotativa do Mercosul, com a delegação europeia a ser chefiada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.


Lula da Silva não vai estar no Paraguai, sendo, por isso, o Brasil representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Ainda assim, o presidente brasileiro recebeu na sexta-feira, Von der Leyen no Rio de Janeiro, e tinha previsto encontrar-se também com António Costa, que teve problemas logísticos e só chegou à noite à cidade.

A presidente da Comissão Europeia enalteceu, na sexta-feira, a assinatura do acordo comercial, afirmando que este deixa uma “mensagem poderosa” já que cria o “maior mercado do mundo”.

“O Acordo UE-Mercosul envia uma mensagem poderosa. Diz: bem-vindos ao maior mercado do mundo e à maior zona de comércio livre do planeta”, enfatizou Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, ao lado do chefe de Estado do Brasil, Lula da Silva, um dos principais impulsionadores para que o acordo fosse finalmente concretizado mais de 25 anos depois.
Quanto ao acordo, Ursula von der Leyen defendeu que este “multiplicará oportunidades como nunca antes”, através do “acesso mútuo a mercados estratégicos” com “regras claras e previsíveis”.

“A história só será um sucesso completo quando pessoas e empresas puderem sentir os benefícios do nosso acordo. E isso deve acontecer rapidamente. Quando o concretizarmos, será uma história de sucesso escrita por 700 milhões de pessoas”, enfatizou.

Também o presidente brasileiro enalteceu a assinatura,deste acordo que põe fim a “25 anos de sofrimento”.

“Mais comércio significa novos empregos dos dois lados do Atlântico”,
enfatizou o chefe de Estado do Brasil.

Na sua opinião, o acordo que será assinado, e que cria um mercado de mais de 700 milhões de pessoas, com um PIB de cerca de 22 biliões de euros, "é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa e sobretudo é bom para o mundo democrático”.

Segundo fontes oficiais paraguaias, está confirmada a presença dos líderes da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, do Panamá, José Raúl Mulino, e da Bolívia, Rodrigo Paz.

O Panamá aderiu recentemente ao Mercosul como Estado associado e a Bolívia encontra-se na fase final do processo de adesão como membro pleno do bloco sul-americano.

Em que consiste o acordo comercial?

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91 por cento das exportações da UE para o Mercosul e para 92 por cento das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.

Para a UE, o tratado abre as portas de um mercado historicamente protegido aos seus setores industriais mais competitivos, entre os quais se destacam a indústria automóvel e a maquinaria industrial, onde as atuais tarifas entre 35 e 14 por cento desaparecerão progressivamente.

Outros setores que beneficiarão de forma especial serão o químico e o farmacêutico, bem como produtos agroalimentares protegidos por denominações de origem, como os vinhos e os queijos.

A assinatura só foi possível depois de, na semana passada, os 27 países da União Europeia terem alcançado uma maioria qualificada para validar o acordo, apesar dos votos contra de França (principal opositor), da Polónia, da Áustria, da Irlanda e da Hungria, e da abstenção da Bélgica. Para tal foi necessário negociar salvaguardas adicionais para os agricultores europeus, que têm continuado a manifestar-se nos últimos dias contra o acordo, e que serviram para convencer Itália, mas não foram suficientes para que Paris também se juntasse.

No entanto, a 'luz verde' dos países da União Europeia para assinar o acordo com o Mercosul poderá enfrentar os derradeiros obstáculos, sobretudo no processo de ratificação no Parlamento Europeu, durante 2026.


C/Lusa
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