Economia
Guerra na Ucrânia
Alemanha ativa plano de emergência para garantir fornecimento de gás
A Alemanha lançou esta quarta-feira um "aviso antecipado" de uma possível emergência de fornecimento de gás. Este é o primeiro nível do plano de emergência alemão, que visa garantir o fornecimento de gás face à ameaça de uma possível interrupção dos fluxos de gás natural vindo da Rússia.
A ameaça de interrupção no fornecimento de gás vindo da Rússia tornou-se mais real após o presidente russo, Vladimir Putin, ter alertado na semana passada que iria passar a cobrar “países hostis” pela compra de gás em rublos. A medida foi rejeitada pelo G7, incluindo a Alemanha, o que alimentou ainda mais os temores de cortes no fornecimento.
"Uma unidade de crise está agora montada dentro do Ministério" para supervisionar a situação, já que o G7 rejeitou o pedido russo de pagamento em rublos, explicou o ministro alemão da Economia, Robert Habeck, durante uma conferência de imprensa esta quarta-feira.
Habeck disse em comunicado que o abastecimento está protegido por enquanto e que a Alemanha está a monitorizar de perto os fluxos de fornecimento com os operadores do mercado. "No entanto, devemos aumentar as medidas de precaução para estarmos preparados para uma escalada por parte da Rússia", acrescentou.
Atualmente, as reservas de gás estão a 25 por cento, o que significa que qualquer interrupção no fornecimento teria “sérias consequências”, alertou o ministro alemão da Economia, acrescentando, porém, que a Alemanha “será capaz de lidar com isso”.
"Gás e petróleo estão a chegar de acordo com as encomendas" e "a medida tomada hoje é uma questão de prevenção", sublinhou Habeck.
O “Plano de Emergência de Gás” da Alemanha pressupõe três níveis de alerta. O primeiro, adotado agora pelo governo alemão, é o “aviso antecipado”, ativado quando existem sinais de uma emergência de abastecimento. Este nível ainda não implica a intervenção estatal. O segundo nível é o de “alarme”, lançado quando há uma interrupção no fornecimento de gás ou quando existe uma procura extraordinariamente elevada que perturba o equilibro habitual.
Por último, o terceiro nível é o de “emergência”, ativado quando as medidas baseadas no mercado não conseguirem mitigar a escassez. Nesta fase, o Estado deve “intervir” no mercado para “regular” a distribuição e definir os volumes atribuídos prioritariamente a cada setor.
"Se querem gás, arranjem rublos"
Na segunda-feira, as sete maiores economias do mundo recusaram pagar o gás russo em rublos. O ministro alemão da Economia explicou que todos os membros do G7 entendem que pagar em rublos representaria uma quebra contratual.
"Todos os ministros do G7 estiveram de acordo sobre o facto de se tratar de uma violação unilateral e clara dos contratos existentes (...) o que significa que um pagamento em rublos não é aceitável", disse Habeck, após uma reunião em formato virtual com os seus homólogos do G7.
O Kremlin, por sua vez, respondeu que não fornece gás de graça. "Ninguém vai entregar gás de graça. É simplesmente impossível. Só podem pagar em rublos", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na terça-feira.
Esta quarta-feira, Moscovo voltou a lançar alertas à União Europeia. O presidente da câmara baixa do Parlamento russo (Duma), Vyacheslav Volodin, alertou que se o bloco quiser manter o gás russo terá de pagar em rublos, advertindo ainda que as exportações de petróleo, cereais, metais, fertilizantes, carvão e madeira poderão em breve ter o mesmo preço.
"Os políticos europeus precisam de parar de falar, parar de tentar encontrar alguma justificação sobre por que não podem pagar em rublos", disse Volodin. "Se querem gás, arranjem rublos", advertiu.
"Além disso, seria correto - onde for benéfico para o nosso país - ampliar a lista de produtos cobrados em rublos para incluir: fertilizantes, cereais, óleo alimentar, petróleo, carvão, metais, madeira, etc”, acrescentou.
Moscovo anunciou que irá passar a vender gás a “países hostis” em rublos em retaliação às sanções do Ocidente contra o país. Na quinta-feira, o governo russo, o Banco Central e a gigante russa do gás Gazprom devem apresentar a Vladimir Putin um relatório sobre o estabelecimento do sistema de pagamento em rublos.
Qual o impacto na Alemanha e na restante Europa?
A invasão do maior fornecedor de gás da Europa elevou os preços já altos da energia para máximos históricos e levou a UE a cortar o uso de gás russo em dois terços até ao final do ano, aumentando as importações de outros países e o uso de energias renováveis.
No entanto, a Alemanha sempre foi reticente quanto à suspensão das importações de combustíveis fósseis da Rússia. A razão é a forte dependência de Berlim em relação a Moscovo no campo da energia. Em 2021, a Rússia foi responsável por 55 por cento das importações de gás da Alemanha, e embora esse número tenha caído para 40 por cento no primeiro trimestre de 2022, Robert Habeck disse que a Alemanha não alcançará total independência do fornecimento russo antes de meados de 2024.
O gás russo é também crucial para a União Europeia, que desde o início da ofensiva russa na Ucrânia procura reduzir essa dependência. Desde que a guerra na Ucrânia começou, a 24 de fevereiro, a União Europeia pagou 21 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis da Rússia, de acordo com o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA).
"Uma unidade de crise está agora montada dentro do Ministério" para supervisionar a situação, já que o G7 rejeitou o pedido russo de pagamento em rublos, explicou o ministro alemão da Economia, Robert Habeck, durante uma conferência de imprensa esta quarta-feira.
Habeck disse em comunicado que o abastecimento está protegido por enquanto e que a Alemanha está a monitorizar de perto os fluxos de fornecimento com os operadores do mercado. "No entanto, devemos aumentar as medidas de precaução para estarmos preparados para uma escalada por parte da Rússia", acrescentou.
Atualmente, as reservas de gás estão a 25 por cento, o que significa que qualquer interrupção no fornecimento teria “sérias consequências”, alertou o ministro alemão da Economia, acrescentando, porém, que a Alemanha “será capaz de lidar com isso”.
"Gás e petróleo estão a chegar de acordo com as encomendas" e "a medida tomada hoje é uma questão de prevenção", sublinhou Habeck.
O “Plano de Emergência de Gás” da Alemanha pressupõe três níveis de alerta. O primeiro, adotado agora pelo governo alemão, é o “aviso antecipado”, ativado quando existem sinais de uma emergência de abastecimento. Este nível ainda não implica a intervenção estatal. O segundo nível é o de “alarme”, lançado quando há uma interrupção no fornecimento de gás ou quando existe uma procura extraordinariamente elevada que perturba o equilibro habitual.
Por último, o terceiro nível é o de “emergência”, ativado quando as medidas baseadas no mercado não conseguirem mitigar a escassez. Nesta fase, o Estado deve “intervir” no mercado para “regular” a distribuição e definir os volumes atribuídos prioritariamente a cada setor.
"Se querem gás, arranjem rublos"
Na segunda-feira, as sete maiores economias do mundo recusaram pagar o gás russo em rublos. O ministro alemão da Economia explicou que todos os membros do G7 entendem que pagar em rublos representaria uma quebra contratual.
"Todos os ministros do G7 estiveram de acordo sobre o facto de se tratar de uma violação unilateral e clara dos contratos existentes (...) o que significa que um pagamento em rublos não é aceitável", disse Habeck, após uma reunião em formato virtual com os seus homólogos do G7.
O Kremlin, por sua vez, respondeu que não fornece gás de graça. "Ninguém vai entregar gás de graça. É simplesmente impossível. Só podem pagar em rublos", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na terça-feira.
Esta quarta-feira, Moscovo voltou a lançar alertas à União Europeia. O presidente da câmara baixa do Parlamento russo (Duma), Vyacheslav Volodin, alertou que se o bloco quiser manter o gás russo terá de pagar em rublos, advertindo ainda que as exportações de petróleo, cereais, metais, fertilizantes, carvão e madeira poderão em breve ter o mesmo preço.
"Os políticos europeus precisam de parar de falar, parar de tentar encontrar alguma justificação sobre por que não podem pagar em rublos", disse Volodin. "Se querem gás, arranjem rublos", advertiu.
"Além disso, seria correto - onde for benéfico para o nosso país - ampliar a lista de produtos cobrados em rublos para incluir: fertilizantes, cereais, óleo alimentar, petróleo, carvão, metais, madeira, etc”, acrescentou.
Moscovo anunciou que irá passar a vender gás a “países hostis” em rublos em retaliação às sanções do Ocidente contra o país. Na quinta-feira, o governo russo, o Banco Central e a gigante russa do gás Gazprom devem apresentar a Vladimir Putin um relatório sobre o estabelecimento do sistema de pagamento em rublos.
Qual o impacto na Alemanha e na restante Europa?
A invasão do maior fornecedor de gás da Europa elevou os preços já altos da energia para máximos históricos e levou a UE a cortar o uso de gás russo em dois terços até ao final do ano, aumentando as importações de outros países e o uso de energias renováveis.
No entanto, a Alemanha sempre foi reticente quanto à suspensão das importações de combustíveis fósseis da Rússia. A razão é a forte dependência de Berlim em relação a Moscovo no campo da energia. Em 2021, a Rússia foi responsável por 55 por cento das importações de gás da Alemanha, e embora esse número tenha caído para 40 por cento no primeiro trimestre de 2022, Robert Habeck disse que a Alemanha não alcançará total independência do fornecimento russo antes de meados de 2024.
O gás russo é também crucial para a União Europeia, que desde o início da ofensiva russa na Ucrânia procura reduzir essa dependência. Desde que a guerra na Ucrânia começou, a 24 de fevereiro, a União Europeia pagou 21 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis da Rússia, de acordo com o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA).
A semana passada, os Estados Unidos assinaram um acordo onde se comprometem a fornecer, até ao final do ano, mais 15 mil milhões de metros cúbicos de gás natural à UE para reduzir a dependência do gás russo.
c/ agências