Economia
Antes do futebol, Hollande e Merkel acertam agulhas sobre orçamento da UE
Angela Merkel e François Hollande reúnem-se quarta-feira nos arredores de Paris para acertar posições na véspera da Cimeira Europeia em que se negociará o orçamento comunitário. A reunião não terá lugar no Eliseu, mas num estádio de futebol antes de uma partida amigável entre as seleções dos dois países. Os dois líderes vão tentar acertar uma estratégia comum para evitar um novo fracasso nas negociações do orçamento plurianual da UE como o que ocorreu em novembro no último conselho extraordinário.
O Stade de France, situado em Saint Denis a norte de Paris foi o local escolhido para o encontro entre Merkel e e Hollande. Tanto a chanceler alemã como o presidente francês são adeptos entusiastas do futebol e a partida amigável, organizada para assinalar os 50 anos da reconciliação franco-alemã, foi considerada a ocasião ideal para debater um assunto que se anuncia determinante para o rumo da Europa.
Reunião entre Merkel e Hollande deve ser breve
A reunião propriamente dita deverá ser breve. Quinze minutos segundo Paris, 45 minutos segundo Berlim, serão suficientes para evocar os dossiers europeus.
“Eles não têm de falar muito das suas posições respetivas para saber se estão de acordo” explicou um conselheiro da presidência francesa, sublinhando que Merkel e Hollande já tiveram “uma discussão muito aprofundada em Berlim, há duas semanas, por ocasião das celebrações do 50º aniversário do tratado do Eliseu".
“Está claro onde estão as margens, os pontos de aterragem, e não existe um desacordo profundo entre eles” disse o assessor. No entanto, atendendo às dificuldades que são esperadas na quinta e sexta-feira em Bruxelas, os observadores não excluem que a reunião entre os dois líderes possa entrar em “prolongamento” .
Merkel e Hollande baixam expectativas
Tanto Angela Merkel como François Hollande procuraram nos últimos dias baixar as expetativas cobre os resultados dizendo que um acordo sobre o orçamento europeu se anuncia “muito difícil”.
O braço de ferro entre os países que exigem cortes significativos nas despesas e os que defendem uma politica de crescimento e solidariedade ditou o fracasso em novembro e poderá voltar a pesar nos próximos dois dias.
A mais recente proposta do presidente do Conselho Europeu continua a não satisfazer nenhuma das partes.
Grã-Bretanha mostra-se determinada
Herman Van Rompuy propõe um orçamento comunitário de 973 mil milhões de euros (1,01 por cento do PIB europeu), o que representa um corte de 77,4 mil milhões em relação à proposta inicial da União Europeia, mas representa uma diminuição da despesa bastante aquém da que é exigida pelo Reino Unido e por outros países riscos do norte da Europa como a Suécia a Holanda e a Dinamarca.
“Estamos a trabalhar com alguns dos nossos aliados, que acreditam também que as despesas têm de cair ainda mais” disse o porta-voz do governo de Londres Jean- Christophe Gray “ se [o orçamento] ficar na mesma, não é possível um acordo.
A Cimeira que se inicia quinta-feira em Bruxelas é a primeira desde que o primeiro ministro britânico David Cameron pronunciou o seu polémico discurso sobre a Europa.
Críticas de Hollande a Cameron
Ontem, em Estrasburgo, o presidente francês criticou indiretamente o primeiro-ministro britânico, que exige cortes no orçamento comunitário que afetam os outros países mas insiste, ao mesmo tempo, em conservar os benefícios e isenções contributivas de que o Reino Unido goza atualmente.
“Há aqueles que querem cortes, e há outros, possivelmente os mesmos, que querem ter garantias acerca dos seus próprios isenções”, disse Hollande que falava no Parlamento Europeu.
Hollande também criticou o chefe do governo britânico pelo seu recente discurso, em que prometeu renegociar as relações do Reino Unido com a União Europeia e questionou a filosofia fundamental da UE . David Cameron prometeu também que, se o seu partido conservador ganhar as próximas eleições britânicas, porá a referendo a decisão de o país ficar ou sair da União.
Paises mais pobres querem preservar a coesão
Nas palavras de Hollande, a UE “é um projeto em que não se pode continuar a discutir acerca do que já existe e a por tudo em questão a cada passo que se dá”. Em vez disso “é um compromisso no qual todos aceitam o princípio do equilíbrio entre os direitos e as obrigações, onde as regras são para ser respeitadas e onde a confiança cria solidariedade".
A esta posição opõem-se a maioria dos países do sul e do leste da Europa, que querem assegurar a continuação do apoio da UE às suas economias menos favorecidas.
A proposta do presidente do Conselho Europeu contemplava uma redistribuição das verbas que atenuava as reduções que atenuava as reduções nas áreas da coesão e da agricultura, consideradas prioritárias por vários dos Estados-membros, entre os quais Portugal .
Van Rompuy admite: Cortes são inevitáveis
O próprio Van Rompuy veio hoje admitir que, os cortes são inevitáveis, mas não deixou de destacar três prioridades para a discussão sobre o orçamento comunitario
Para o líder do Conselho Europeu,"o orçamento deve ser de moderação, refletindo os esforços de contenção nos Estados-membros. É por isso que -- pela primeira vez -- haverá cortes reais, na comparação com o orçamento atual".
"O orçamento tem que ajudar-nos a responder aos problemas mais urgentes. O desemprego juvenil é, atualmente, o maior desafio na Europa. É por isso que irei propor, na quinta-feira, uma nova iniciativa que implica uma verba substancial" escreve Van Rompuy na habitual carta-convite enviada às capitais da União Europeia.
Esta verba, que não foi divulgada, destina-se, segundo Van Rompuy “às regiões mais afetadas e a fazer regressar os jovens ao mercado de trabalho".
O presidente do Conselho Europeu sublinhou também que as perspetivas financeiras para 2014-2020 devem "ser um motor para o crescimento e emprego no futuro". Neste sentido, reiterou ser "importante aumentar, em termos reais, as verbas para a investigação, inovação e educação".
Van Rompuy considerou também que as vertentes do crescimento e emprego devem ser maximizadas em todas as políticas, "da coesão à agricultura".
Parlamento Europeu avisa que rejeitará cortes nas políticas de crescimento e emprego
Entretanto, o Parlamento Europeu já avisou que está pronto a rejeitar qualquer acordo que corte nas verbas comuns destinadas ao crescimento e ao emprego. Os líderes parlamentares em Estrasburgo dizem que não viabilizarão nenhum plano que enfraqueça o papel da União Europeia.
Reunião entre Merkel e Hollande deve ser breve
A reunião propriamente dita deverá ser breve. Quinze minutos segundo Paris, 45 minutos segundo Berlim, serão suficientes para evocar os dossiers europeus.
“Eles não têm de falar muito das suas posições respetivas para saber se estão de acordo” explicou um conselheiro da presidência francesa, sublinhando que Merkel e Hollande já tiveram “uma discussão muito aprofundada em Berlim, há duas semanas, por ocasião das celebrações do 50º aniversário do tratado do Eliseu".
“Está claro onde estão as margens, os pontos de aterragem, e não existe um desacordo profundo entre eles” disse o assessor. No entanto, atendendo às dificuldades que são esperadas na quinta e sexta-feira em Bruxelas, os observadores não excluem que a reunião entre os dois líderes possa entrar em “prolongamento” .
Merkel e Hollande baixam expectativas
Tanto Angela Merkel como François Hollande procuraram nos últimos dias baixar as expetativas cobre os resultados dizendo que um acordo sobre o orçamento europeu se anuncia “muito difícil”.
O braço de ferro entre os países que exigem cortes significativos nas despesas e os que defendem uma politica de crescimento e solidariedade ditou o fracasso em novembro e poderá voltar a pesar nos próximos dois dias.
A mais recente proposta do presidente do Conselho Europeu continua a não satisfazer nenhuma das partes.
Grã-Bretanha mostra-se determinada
Herman Van Rompuy propõe um orçamento comunitário de 973 mil milhões de euros (1,01 por cento do PIB europeu), o que representa um corte de 77,4 mil milhões em relação à proposta inicial da União Europeia, mas representa uma diminuição da despesa bastante aquém da que é exigida pelo Reino Unido e por outros países riscos do norte da Europa como a Suécia a Holanda e a Dinamarca.
“Estamos a trabalhar com alguns dos nossos aliados, que acreditam também que as despesas têm de cair ainda mais” disse o porta-voz do governo de Londres Jean- Christophe Gray “ se [o orçamento] ficar na mesma, não é possível um acordo.
A Cimeira que se inicia quinta-feira em Bruxelas é a primeira desde que o primeiro ministro britânico David Cameron pronunciou o seu polémico discurso sobre a Europa.
Críticas de Hollande a Cameron
Ontem, em Estrasburgo, o presidente francês criticou indiretamente o primeiro-ministro britânico, que exige cortes no orçamento comunitário que afetam os outros países mas insiste, ao mesmo tempo, em conservar os benefícios e isenções contributivas de que o Reino Unido goza atualmente.
“Há aqueles que querem cortes, e há outros, possivelmente os mesmos, que querem ter garantias acerca dos seus próprios isenções”, disse Hollande que falava no Parlamento Europeu.
Hollande também criticou o chefe do governo britânico pelo seu recente discurso, em que prometeu renegociar as relações do Reino Unido com a União Europeia e questionou a filosofia fundamental da UE . David Cameron prometeu também que, se o seu partido conservador ganhar as próximas eleições britânicas, porá a referendo a decisão de o país ficar ou sair da União.
Paises mais pobres querem preservar a coesão
Nas palavras de Hollande, a UE “é um projeto em que não se pode continuar a discutir acerca do que já existe e a por tudo em questão a cada passo que se dá”. Em vez disso “é um compromisso no qual todos aceitam o princípio do equilíbrio entre os direitos e as obrigações, onde as regras são para ser respeitadas e onde a confiança cria solidariedade".
A esta posição opõem-se a maioria dos países do sul e do leste da Europa, que querem assegurar a continuação do apoio da UE às suas economias menos favorecidas.
A proposta do presidente do Conselho Europeu contemplava uma redistribuição das verbas que atenuava as reduções que atenuava as reduções nas áreas da coesão e da agricultura, consideradas prioritárias por vários dos Estados-membros, entre os quais Portugal .
Van Rompuy admite: Cortes são inevitáveis
O próprio Van Rompuy veio hoje admitir que, os cortes são inevitáveis, mas não deixou de destacar três prioridades para a discussão sobre o orçamento comunitario
Para o líder do Conselho Europeu,"o orçamento deve ser de moderação, refletindo os esforços de contenção nos Estados-membros. É por isso que -- pela primeira vez -- haverá cortes reais, na comparação com o orçamento atual".
"O orçamento tem que ajudar-nos a responder aos problemas mais urgentes. O desemprego juvenil é, atualmente, o maior desafio na Europa. É por isso que irei propor, na quinta-feira, uma nova iniciativa que implica uma verba substancial" escreve Van Rompuy na habitual carta-convite enviada às capitais da União Europeia.
Esta verba, que não foi divulgada, destina-se, segundo Van Rompuy “às regiões mais afetadas e a fazer regressar os jovens ao mercado de trabalho".
O presidente do Conselho Europeu sublinhou também que as perspetivas financeiras para 2014-2020 devem "ser um motor para o crescimento e emprego no futuro". Neste sentido, reiterou ser "importante aumentar, em termos reais, as verbas para a investigação, inovação e educação".
Van Rompuy considerou também que as vertentes do crescimento e emprego devem ser maximizadas em todas as políticas, "da coesão à agricultura".
Parlamento Europeu avisa que rejeitará cortes nas políticas de crescimento e emprego
Entretanto, o Parlamento Europeu já avisou que está pronto a rejeitar qualquer acordo que corte nas verbas comuns destinadas ao crescimento e ao emprego. Os líderes parlamentares em Estrasburgo dizem que não viabilizarão nenhum plano que enfraqueça o papel da União Europeia.