ANTRAM contra paralisação dos transportadores

A ANTRAM desmarca-se da a paralisação marcada pelos transportadores, que pretendem parar os camiões a partir de hoje e por tempo indeterminado, e afirma que as negociações com o Governo ainda não estão esgotadas.

Cristina Sambado, RTP /
Camiões portugueses vão estar parados a partir das 00h00 de hoje e por tempo inteterminado, mas a ANTRAM e o sindicato não concordam com a paralisação RTP

A Associação Nacional de Transportes Rodoviários Públicos de Mercadorias (ANTRAM) demarcou-se da posição tomada, ontem na Batalha, pelos transportadores.

“A direcção da ANTRAM demarca-se de algumas posições expressas naquela reunião”, afirmou António Mouzinho, presidente da ANTRAM.

“A ANTRAM é uma entidade de utilidade pública que está a negociar com o Governo vários dossiers, tem reuniões marcadas para a próxima semana e, portanto, a direcção da ANTRAM não está solidária com este tipo de acções, enquanto não esgotar todo o seu diálogo e todos os contactos que está a ter neste momento com o Governo”, acrescentou.

Segundo António Mouzinho, a entidade “demarca-se de qualquer acção que possa ocorrer na segunda-feira” que a ANTRAM “considera um dia de trabalho normal e que todos os camionistas devem circular”.

Ontem, os transportadores prometeram paralisar o país, a partir de amanhã, boicotando com piquetes de greve a actuação das grandes transportadoras que não aderirem à paralisação nacional.

Sindicato afirma que paralisação é das empresas e não dos motoristas

Vítor Pereira, presidente da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) apelou aos motoristas que denunciem as empresas de camionagem que os impeçam de trabalhar.

“Esta paralisação é ilegal, visto que há uma violação clara à Constituição da República, porque em Portugal não é permitido fazer lockout, e estamos perante um lockout. O que quer dizer que os transportadores estão a tentar usar os motoristas para lutas que não são suas”, afirmou Vítor Pereira à RTP.

O sindicalista apela “a todos os motoristas que denunciem estas situações, para que o Governo e as entidades competentes actuem em conformidade”.

Segundo Vítor Pereira “o problema do sector não são só os combustíveis, há um conjunto de situações que necessitam de ser discutidas com os sindicatos” e dá exemplos “baixos salários, precariedade laboral, concorrência desleal entre as empresas e cargas horárias muito elevadas”

O sindicalista revelou “já ter recebido no telemóvel mensagens de preocupação de associados que receiam ser impedidos de trabalhar”.

Vítor Pereira acusa o Governo "de ter deixado arrastar o problema do transporte de mercadorias” e considera que actualmente “é um sector indisciplinado e com imensas ilegalidades”.

O sindicalista defende que a solução para o sector “passará por ouvir também os sindicatos e não apenas os empresários”.

A Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, afecta à CGTP, tem 25 mil associados.

Sector emprega mais de 70.000 pessoas

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que o sector do transporte de mercadorias empregava, em 2006, 73.665 pessoas, das quais 59 por cento eram motoristas e três por cento não tinha remuneração.

Os dados do INE demonstram, relativamente ao tipo de transporte realizado, que as pequenas empresas (1 a 4 veículos) o transporte predominante é o longo curso, enquanto nas médias (5 a 19 veículos) e grandes empresas (mais de 20 veículos) destaca-se o transporte regional e longo curso internacional.

Das cerca de 5.000 empresas de transporte de mercadorias que operam em Portugal, a maioria são micro-empresas, algumas delas com um único trabalhador.
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