Economia
Apagão. E-Redes afasta responsabilidades na distribuição de energia e aponta dependência da REN
O presidente da E-Redes destaca a "excelente" recuperação energética testemunhada a 28 de abril de 2025, no incidente que deixou a Península Ibérica às escuras, afirmando que a eletricidade de 95% dos seus clientes foi retomada ao fim do dia.
O presidente do Conselho de Administração da E-Redes, José Ferrari Careto, rejeitou esta quarta-feira qualquer falha na distribuição de eletricidade durante o apagão de 28 de abril do ano passado. Ouvido na Comissão de Ambiente e Energia, que teve lugar no Parlamento, o responsável sublinhou que a reposição de energia esteve sempre condicionada pela Rede Elétrica Nacional (REN).
O relatório final sobre o apagão elétrico será divulgado no primeiro trimestre de 2026.
Segundo José Ferrari Careto, a REN era a entidade responsável pela gestão do sistema elétrico e que ia autorizando de forma gradual o restabelecimento do consumo. O líder da empresa responsável pela distribuição de energia elétrica no país, afirma que a sua empresa manteve um contacto permanente com a REN, que ia dando permissão para “ligar mais x 'megawatts' de consumo".
José Careto explicou que a empresa apenas podia ir “ligando cada vez mais clientes” à medida que o sistema ganhava estabilidade e capacidade para suportar um maior consumo. A retoma generalizada da energia em Portugal só foi conseguida a partir das nove da noite, quando “o sistema já estava disponível para aceitar mais carga, mais consumo”, referiu.
O empresário classificou a resposta da E-Redes como “excelente”, salientando que, ao final do dia, cerca de 95% dos clientes já tinham o fornecimento de eletricidade restabelecido.
O modo como a empresa reagiu a um incidente inédito, daqueles que só "acontece uma vez na vida", é para o presidente da E-Redes grande motivo de orgulho e que “faz jus àquilo que é a 'performance' do país do ponto de vista do setor da eletricidade".
Apesar de descrever o sucesso da operação, José Careto não deixa de reiterar que “há sempre ensinamentos e lições a aprender”.
De acordo com a cronologia apresentada na audição parlamentar, a primeira tentativa de reposição de carga ocorreu às 14:45, através da central de Castelo de Bode. Seguiu-se, às 15:31, a reposição a partir do ponto injetor do Zêzere.
Na reunião falou-se ainda da metodologia adotada nestes casos, tendo José Careto referido que o processo de recuperação elétrica envolve uma vertente exclusivamente técnica e outra relacionada com a priorização dos clientes a abastecer.
Castelo de Bode não é considerada uma zona prioritária, mas por estar próxima de um centro eletroprodutor e reunir as condições técnicas adequadas, foi a primeira a ter acesso à eletricidade.
O fornecimento de eletricidade começou a ser retomado no Porto às 19:25h e em Lisboa às 20:12h. Já na madrugada do dia 29 de abril, à uma da manhã, foi energizada a última subestação de 60 kV, estando a reposição totalmente concluída às três horas da manhã.
Em declarações proferidas no Parlamento, no passado dia 17 de dezembro, o presidente executivo da REN, Rodrigo Costa, declarou não ser possível garantir que o caso testemunhado em abril do ano passado não se volte a repetir, defendendo que a principal prioridade do sistema elétrico nacional deve ser a capacidade de recuperação rápida perante riscos técnicos, climáticos ou de cibersegurança.
Segundo o grupo de peritos da Rede Europeia de Operadores de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E), a origem do incidente deverá estar num aumento de tensão em cascata, registado no sul de Espanha na fase final do apagão. O fenómeno terá provocado desligamentos súbitos de unidades de produção, sobretudo de origem renovável, conduzindo à separação elétrica da Península Ibérica do sistema continental, com perda de sincronismo e colapso da frequência e tensão.
O relatório final sobre o apagão elétrico será divulgado no primeiro trimestre de 2026.