Aquisição à Woodside de participação no Greater Sunrise é "operação histórica" reconhece ministro
O ministro do Petróleo e dos Recursos Minerais de Timor-Leste, Francisco Monteiro, afirmou hoje que a aquisição da participação da Woodside da `joint venture` do campo de gás Greater Sunrise é uma "operação extremamente importante e histórica".
"Hoje represento o Governo neste momento de concretização de uma operação extremamente importante e histórica. Desde a descoberta deste campo, em 1974, passaram mais de cinquenta anos", afirmou Francisco Monteiro aos jornalistas, após a assinatura do acordo, numa unidade hoteleira em Díli.
A petrolífera Woodside e a Timor GAP anunciaram a celebração de um acordo para a aquisição pela petrolífera timorense da participação da empresa australiana no consórcio para explorar o campo de gás Greater Sunrise por 200 milhões de dólares (cerca de 179 milhões de euros).
"Pela primeira vez, este recurso regressa às mãos de Timor e do povo timorense, através da sua empresa nacional, a Timor GAP. Por isso, agradecemos à Woodside por ter permitido que este momento histórico se concretizasse", disse o ministro Francisco Monteiro.
O ministro salientou também que aquele "recurso foi preservado de forma exemplar", recordando que é um dos recursos energéticos mais significativos da região.
Os campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado.
Após a conclusão da transação, a Woodside deixará de deter qualquer participação na `joint venture", que passará a ser detida apenas pela Timor GAP.
Atualmente, a Timor GAP detém uma participação de 66,56%, após ter anunciado em setembro a aquisição dos 10% da Osaca Gás. A Woodside Energy tem 33,44%.
Localizado no mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e representa para os timorenses um grande potencial económico.
A sua exploração esteve durante anos envolta num impasse, com Díli a defender a construção de um gasoduto para o sul do país e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin.
O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin.