Arquitetos e Engenheiros propõem bolsa de voluntários para apoiar recuperação
As secções regionais do Centro da Ordem dos Arquitetos e da Ordem dos Engenheiros propuseram hoje a criação de uma bolsa conjunta de voluntários para apoiar a recuperação dos territórios afetados pela tempestade Kristin.
Numa missiva enviada à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e às Comunidades Intermunicipais (CIM) da Região de Coimbra e de Leiria, as duas ordens profissionais manifestam disponibilidade "para constituir um grupo de trabalho técnico com vista à constituição de uma bolsa de arquitetos e engenheiros voluntários", que assegure uma resposta técnica coordenada.
A iniciativa surge em resposta aos "impactos registados ao nível das infraestruturas, edificado, ocupação do solo, serviços essenciais e recursos" causados pela tempestade, segundo referem Florindo Belo Marques, da Secção Regional do Centro da Ordem dos Arquitetos, e Isabel Cristina Lança, da Região Centro da Ordem dos Engenheiros, num documento a que a Lusa teve acesso.
O objetivo desta cooperação institucional é assegurar uma "resposta técnica articulada", focada no diagnóstico e na avaliação de danos, bem como na apresentação de soluções qualificadas para a reabilitação e reconstrução das zonas fustigadas.
As ordens profissionais pretendem, com esta bolsa de voluntários, promover uma "recuperação integrada e resiliente do território", reforçando a articulação entre as entidades públicas e os especialistas do setor da construção e planeamento.
A proposta surge num momento crítico de levantamento de prejuízos nos distritos de Coimbra e Leiria, muito afetados pela passagem da tempestade Kristin.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.