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Os danos e a evolução do estado do tempo

Arquitetos paisagistas querem fazer parte da resposta à devastação

Arquitetos paisagistas querem fazer parte da resposta à devastação

A Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas apela à disponibilidade destes profissionais para colaborarem na resposta à devastação provocada pela tempestade Kristin, "um aviso estrutural" sobre a urgência de transformar a forma como se planeia, gere e cuida a paisagem.

Lusa /

Em comunicado, a Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas (APAP) considera que a Kristen expos "fragilidades estruturais antigas do território".

"Para além do dano imediato, a tempestade revelou problemas de fundo: gestão florestal inadequada, excesso de combustíveis, ausência de mosaicos paisagísticos resilientes e fraca integração da infraestrutura verde no ordenamento", lê-se no comunicado.

Para a APAP, "a recuperação não pode limitar-se à reposição do que caiu. Exige reconstrução ecológica, diversificação florestal, restauro de galerias ripícolas, reforço da arborização urbana adaptada ao clima e uma governação da paisagem que antecipe o risco".

Nesse sentido, apela "de forma clara e responsável à disponibilidade dos arquitetos paisagistas para colaborarem com as autoridades nacionais, regionais e locais na resposta à devastação".

"Este período requer uma cooperação institucional efetiva. Os arquitetos paisagistas possuem competências para prestar apoio aos municípios, às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e à Proteção Civil na análise integrada da paisagem, no restauro de sistemas naturais, na requalificação de espaços públicos e na redefinição de modelos de gestão que promovam maior resiliência", indica a associação.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo declarou situação de calamidade até hoje para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

 

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