Arrendamento em debate no Parlamento com chumbo no horizonte

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Arrendamento em debate no Parlamento com chumbo no horizonte

O parlamento discute esta quarta-feira o Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU), proposto pelo Governo. Acompanhamos aqui os principais momentos do debate.

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Acelerar despejos e contratos mais flexíveis são algumas das alterações propostas pelo Governo

A nova lei das rendas tem o chumbo praticamente garantido. O primeiro-ministro já veio dizer que vai levar política de habitação "até ao fim" sem se "deixar intimidar".

O primeiro-ministro foi recebido esta manhã em Espinho por um dezena de manifestantes e disse que, na rua, são sempre os mesmos a dizer a mesma coisa.
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Habitação. Rendas em recordes e mais despejos em Portugal

Isto acontece numa altura em que já está a aumentar o número de despejos em Portugal e as rendas batem recordes.

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Nunca as rendas foram tão caras em Portugal. Arrendamento em debate hoje com chumbo no horizonte

O valor por metro quadrado ultrapassou os 10 euros a nível nacional no segundo trimestre. O tema do arrendamento é discutido esta quarta-feira no Parlamento, com uma proposta do Governo a votação. O PS já anunciou que iria votar contra e também o Chega ameaçou nesse sentido.

Nuno Patrício - RTP

Numa casa de 100 metros quadrados, a renda mediana está nos 1017 euros para novos contratos. É um aumento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado. É também uma subida de 7,5% em relação ao primeiro trimestre do ano.

O valor das rendas subiu em todas as regiões do País, sendo que são mais elevadas em Lisboa, Madeira e Península de Setúbal.


É neste contexto que esta quarta-feira o parlamento vai debater a proposta de mudanças na lei do arrendamento, proposta pelo Governo. O PS já anunciou que iria votar contra e também o Chega ameaçou nesse sentido.

Entre as medidas da proposta de lei do Governo estão a aceleração do processo de despejo, que passa a poder ser iniciado ao fim de dois meses de rendas em atraso (em vez dos três atuais), o fim do travão de 2% de aumento na renda de um novo contrato (em relação ao contrato anterior) e a introdução de três (em vez de duas) cauções adiantadas e sem limite de valor.

“Nós confiamos convictamente naquilo que estamos a fazer e que isso vai ter um resultado. A história vai-nos julgar, e os eleitores também, mas nós não vamos deixar de fazer”, vincou o primeiro-ministro esta terça-feira.
Telejornal | 29 de setembro de 2026

Apesar da confiança de Luís Montenegro, há o risco de a proposta ser chumbada no Parlamento.

O PS já anunciou que votará contra, tendo apresentado um projeto de lei para criar um mecanismo de garantia pública de segurança no arrendamento habitacional.

O líder parlamentar dos socialistas, Eurico Brilhante Dias, considerou que o Executivo pretende obter da Assembleia da República "um cheque em branco" com vista a instituir medidas que vão "criar uma insegurança crescente nos inquilinos". Não excluiu, porém, que a proposta do Governo baixe à especialidade sem votação e, em resposta aos jornalistas, indicou que o PS votará favoravelmente um pedido nesse sentido.

"Se não for votada, é porque o Governo reconhece que não construiu uma maioria e entende fazer baixar-se em votação. Se decidir baixar sem votação, o tema é diferente", disse, acrescentando: "Historicamente, sempre votámos favoravelmente (baixas à comissão sem votação)".
Telejornal | 29 de setembro de 2026

No projeto de lei apresentado esta terça-feira, o PS propõe a criação de uma garantia pública, definida como um "mecanismo público de mitigação dos riscos associados ao arrendamento habitacional, destinado a reforçar a confiança no mercado habitacional, a segurança das partes e facilitar o acesso à habitação".Chega acena com voto contra
O presidente do Chega desafiou igualmente o Governo a permitir a descida à comissão, sem votação, da proposta para rever o regime de arrendamento urbano, ameaçando votar contra se o Executivo não o fizer.

"Este diploma, tal como está, não serve. E ao não servir, não deve continuar a ser colocado à votação do Parlamento", afirmou André Ventura esta terça-feira.

O líder do Chega disse que, "se o diploma continuar assim como está, não passará no Parlamento", uma vez que também o PS já anunciou que votará contra.
Telejornal | 29 de setembro de 2026

André Ventura indicou que o seu partido recebeu "alguns contactos do Governo" sobre este diploma e instou o Executivo a alterar a proposta de lei que levou ao Parlamento, mostrando-se disponível para negociar em comissão.

O presidente do Chega considerou que "as pessoas não aguentam ter um regime em que as rendas não param de aumentar" e pediu penalizações para "algumas minorias" que "têm casas públicas ou menos públicas e que não pagam renda porque não querem".

"Não é as pessoas comuns que têm pensões baixas, salários baixos, serem despejados se não conseguirem pagar uma renda. (...) Essa conversa continua a existir, mas o Governo fez tudo mal neste projeto de arrendamento. Para os senhorios não é bom e mantém um regime altamente punitivo, para quem arrenda não é bom porque vai permitir basicamente que as rendas subam descontroladamente", criticou.

c/ Lusa
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