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A resposta aos danos da depressão Kristin e a evolução do estado do tempo

Associação pede reafetação de verbas do E-Lar para ajuda a zonas afetadas

Associação pede reafetação de verbas do E-Lar para ajuda a zonas afetadas

A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, Estações de Serviço, Estacionamentos e Lavagens Automóveis (Anarec) pediu hoje que sejam reavaliadas as verbas afetas ao programa E-Lar e, se necessário, reorientadas para zonas mais afetadas pelo mau tempo.

Lusa /

Num comunicado, a associação indicou que o programa E-Lar, que financia a troca de equipamentos domésticos, nomeadamente a gás, por outros mais eficientes, elétricos, "tem vindo a desvalorizar uma fonte energética essencial, resiliente e complementar, num momento em que o sistema elétrico nacional evidencia vulnerabilidades crescentes", tendo em conta os danos causados pelo mau tempo.

De acordo com a Anarec, a "aposta exclusiva ou predominantemente assente num modelo 100% elétrico traduz-se num risco estrutural elevado, ao criar uma dependência excessiva de uma única infraestrutura e ao reduzir a capacidade de resposta em cenários de falhas, apagões ou eventos extremos".

Para a associação, o "gás engarrafado desempenha um papel crítico na segurança energética nacional", visto que assegura "autonomia de abastecimento, redundância operacional e continuidade de serviço a populações, empresas e serviços essenciais", sobretudo em contextos de emergência ou disrupção energética.

"Importa ainda sublinhar que, em situações de quebra de fornecimento elétrico, a manutenção de serviços essenciais depende, muitas vezes, da disponibilidade imediata de fontes energéticas alternativas e de sistemas de contingência, como geradores", lembrou.

Por isso, destacou a Anarec, "os agentes económicos e operadores críticos têm, historicamente, assegurado de forma responsável a existência de reservas e o abastecimento de combustíveis líquidos (designadamente gasóleo) para alimentação desses geradores", algo indispensável para manter em funcionamento infraestruturas vitais e serviços de resposta, quando a rede elétrica falha.

Segundo a associação, esta realidade evidencia "a importância de políticas públicas que não fragilizem a redundância energética do país e que preservem um `mix` energético equilibrado, capaz de responder a diferentes cenários de risco".

Por isso, a Anarec "recomenda que as verbas atualmente afetas ao Programa E-Lar sejam reavaliadas e, se necessário, reorientadas", para que possam "apoiar empresas e consumidores afetados pelos prejuízos e danos verificados nas zonas especialmente afetadas".

"Mais uma vez, fica demonstrado que a diversidade energética não é uma opção ideológica, mas uma necessidade estratégica. O gás engarrafado é essencial e continuará a ser uma alternativa fiável, disponível e segura em todas as circunstâncias", rematou.

Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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