Associações aplaudem aposta do Governo em promover consumo de proteína vegetal

por Lusa

As associações ProVeg Portugal e Zero congratularam-se hoje por Portugal incluir no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2023) a promoção do consumo de proteína vegetal com o objetivo de diminuir a pegada ecológica.

Segundo Joana Oliveira, da direção da ProVeg, as associações tiveram oportunidade de "congratular o Ministério do Ambiente e da Energia pela inclusão desta nova linha de atuação no PNEC 2030".

"Reiteramos a disponibilidade das organizações ambientais que atuam na área da agricultura e alimentação para colaborar na concretização destas ações" e "a presença desta novidade [promoção do consumo de energia vegetal], num plano de tal importância é um marco importante, com benefícios significativos para a sustentabilidade alimentar do país e para a saúde da população portuguesa", lê-se num comunicado de imprensa enviado hoje à comunicação social.

O Ministério do Ambiente e Energia reafirmou o compromisso de Portugal com a sustentabilidade ambiental através da aprovação do PNEC 2030 a 3 de dezembro, na Comissão Parlamentar de Ambiente e Energia e esta sexta-feira, dia 20, em plenário da Assembleia da República. Esta revisão visa "promover uma dieta alimentar de baixo carbono", que inclui a criação de uma estratégia nacional para promover o consumo de proteína vegetal", indica o mesmo documento.

Segundo as organizações ProVeg Portugal (sem fins lucrativos de consciencialização alimentar) e ZERO (Associação Sistema Terrestre Sustentável não governamental de ambiente sem fins lucrativos), "as leguminosas, como feijão, grão-de-bico, ervilhas, lentilhas, apresentam um baixo custo de produção e elevada durabilidade e versatilidade, representando uma solução sustentável para fornecer proteína à população, contribuindo ainda para uma agricultura melhor adaptada às alterações climáticas".

Segundo a organização ProVeg Portugal, o próximo passo importante é a criação de um plano de ação para a proteína vegetal, que contemple um conjunto de iniciativas concretas e coordenadas com outros organismos do Estado envolvidos na área da alimentação.

"É fundamental promover o consumo e a produção interna, reforçando os apoios ao desenvolvimento de fontes proteicas vegetais, bem como à investigação e à inovação associadas", lê-se no comunicado.

"Portugal tem muito a ganhar com o desenvolvimento deste setor, tanto em termos ambientais e de saúde pública, como em termos de oportunidades económicas. Outros países europeus, como a Dinamarca, já estão a seguir este caminho", afirma Joana Oliveira, da ProVeg.

O consumo alimentar em Portugal constitui a principal componente da pegada ecológica nacional -- cerca de 30% -, superando a pegada ecológica produzida pelos transportes.

Portugal destaca-se como o país com a "maior pegada alimentar, `per capita`, entre os países mediterrâneos, em particular com o elevado consumo de carne e peixe", que representa "pelo menos, 49% da pegada alimentar nacional".

Estima-se que dietas adequadas em calorias e com menor consumo de carne "poderiam reduzir o `deficit` ecológico do país entre 10% e 19%, respetivamente", indicam as organizações.

"As leguminosas desempenham também um papel central na sustentabilidade da produção alimentar. Para além de fixarem azoto nos solos, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos, promovem uma agricultura mais resiliente e de baixo impacto", acrescenta Pedro Horta, da ZERO, especialista em agricultura, floresta e biodiversidade.

Tópicos
PUB