Banca espanhola utiliza 60 mil milhões com resgate “em aberto”

Banca espanhola utiliza 60 mil milhões com resgate “em aberto”

Dos 100 mil milhões de euros disponibilizados por Bruxelas para recapitalizar a banca espanhola, serão utilizados 60 mil milhões. A estimativa é avançada pelo ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, numa entrevista hoje publicada pelo International Herald Tribune. De Guindos garante que a esperada intervenção do Banco Central Europeu no mercado de dívida não vai “relaxar” o esforço orçamental do Governo, admitindo ainda que um pedido de ajuda internacional para resgatar integralmente a economia do país é uma hipótese “totalmente em aberto”.

Ana Sanlez, RTP /
O ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, deixa "totalmente em aberto" o pedido de resgate do país Chema Moya, EPA

Quando a 25 de junho De Guindos formalizou o pedido de ajuda à banca através de uma carta dirigida a Bruxelas, fazia menção a “um valor suficiente para cobrir as necessidades de capital, mais uma margem de segurança adicional, até um máximo de 100 mil milhões de euros”. O ministro da Economia do país vizinho manifesta agora confiança nas previsões das auditoras externas que estão a escrutinar o sector financeiro espanhol e que estimam as necessidades dos bancos em 62 mil milhões de euros.

PIB mais baixoO Instituto Nacional de Estatística espanhol anunciou hoje a revisão em baixa do crescimento da economia do país em 2011 para 0,4 por cento do PIB, três décimas abaixo das previsões iniciais.

O menor contributo da procura externa, bem como a evolução negativa da procura interna, justificam a quebra nos números.

Os valores de 2010 foram igualmente corrigidos, desta feita em ligeira alta, de -0,3 por cento para -0,1.
O valor definitivo só será revelado em meados de setembro, quando a Oliver Wyman e a Roland Berger finalizarem o processo. De Guindos crê que a realidade não será “muito diferente”, colocando de parte a hipótese de liquidar quaisquer instituições financeiras.

A eventual compra de dívida soberana espanhola por parte do BCE no mercado secundário, a instituições financeiras, de forma a aliviar a pressão dos juros e baixar, assim, os custos de financiamento do país, é assumida por De Guindos como “uma importante ajuda” que contribuiria para “reanimar os mercados”. O ministro espanhol avança na entrevista com a promessa de incrementar os esforços orçamentais de Madrid caso o BCE entre em ação.

“O Governo espanhol aceita que a intervenção do BCE no mercado secundário não permita relaxar o esforço de consolidação fiscal e deveríamos assegurar ao BCE que vamos cumprir os nossos compromissos”. O resgate pleno à economia do país, condição indispensável para que o BCE intervenha nos mercados de dívida dos países em apuros, “permanece totalmente em aberto”, segundo De Guindos.

As agências de rating Fitch e Standard & Poor’s garantiram na passada semana que um resgate a Espanha não iria afetar a notação financeira do país. “A ajuda externa poderia proporcionar a Espanha o balão de oxigénio que o país precisa para implementar as suas ambiciosas reformas fiscais”, lê-se num comunicado da Fitch.
Rajoy "baixou os braços"
Confrontados com avolumar de opiniões que nas últimas semanas vêm dando conta que Espanha não vai conseguir escapar à intervenção externa, os responsáveis do maior partido da Oposição pedem ordem ao Governo. O secretário de Organização do PSOE, Óscar López, acusa Mariano Rajoy de não ser capaz de gerar confiança e de “baixar os braços”.

"A impressão que o Governo de Rajoy deu este verão é de alguém que baixou os braços em frente ao resgate, alimentando notícias sobre um suposto resgate suave, resgate bom. Não há resgate suave nem bom. Este país está há vários anos a lutar para evitar o resgate", declarou à rádio Cadena SER.

Para López, o fracasso das políticas do Governo está na argumentação do Governo dos populares. “Passaram meses a procurar culpados em vez de procurar soluções. Começaram com aquilo da herança, culpando o Governo anterior, e depois visaram as autarquias, os sindicatos, funcionários públicos, o Banco de Espanha, não parando de gerar desconfiança sobre Espanha", concluiu.
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