Banco estatal chinês emite dívida em Macau para apoiar projetos lusófonos
O Governo de Macau anunciou hoje que um banco estatal chinês completou a primeira emissão de dívida para financiar projetos nos países lusófonos.
O Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês) concluiu na terça-feira a operação, que envolveu obrigações públicas no valor de 5,5 mil milhões de yuan (660 milhões de euros), disse o regulador financeiro do território.
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) sublinhou, num comunicado, que é "a primeira emissão de obrigações temáticas destinadas à iniciativa `Uma Faixa, Uma Rota` e aos países e regiões de língua portuguesa".
O lançamento das obrigações "representa uma importante demonstração" do apoio à afirmação de Macau como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa, declarou a AMCM.
A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.
O organismo integra, além da China, os países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial.
A AMCM defendeu ainda que a operação da sucursal do CDB na vizinha região de Hong Kong também "destaca a participação e contributo de Macau para a construção" de `Uma Faixa, Uma Rota`.
A iniciativa, anunciada pelo líder chinês, Xi Jinping, em 2013, envolve mais de 80 países -- incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -- para desenvolver ligações marítimas, rodoviárias e ferroviárias.
O CBD tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir obrigações públicas em Macau, algo que a AMCM descreveu como "mais um marco relevante quanto à diversificação dos emitentes no mercado obrigacionista".
Em novembro, o líder do Governo de Macau sublinhou que o valor dos títulos de dívida emitidos na região, sobretudo pelas autoridades centrais ou locais chinesas, ultrapassou 100 mil milhões de patacas (10,5 mil milhões de euros).
Durante a discussão das Linhas de Ação Governativa para 2026, Sam Hou Fai disse que quer criar um mecanismo monetário para liquidar, na região chinesa, as transações comerciais entre a China e os países de língua portuguesa.
Um mecanismo monetário, "incluindo os países de línguas portuguesa e espanhola", pode também encorajar o mercado de obrigações, defendeu o primeiro líder da região semiautónoma chinesa que fala português.
O chefe do Executivo quer atrair os governos e as empresas dos países de línguas portuguesa e espanhola para emitirem dívida no mercado de obrigações de Macau.
Em janeiro de 2025, Henrietta Lau Hang Kun, dirigente da AMCM, disse que os bancos centrais de Angola e Timor--Leste estavam interessados em emitir dívida pública na região, para atrair investidores da China continental.