Economia
BCE sobe juros em 0,25 pontos percentuais pela segunda vez este ano
O Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas de juro pela segunda vez este ano - uma medida amplamente antecipada - esta quinta-feira, numa tentativa de conter uma inflação impulsionada inteiramente pelos custos mais elevados da energia decorrentes da guerra que envolveu o Irão.
O Conselho do BCE "decidiu hoje aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 0,25 pontos percentuais", visto que "o conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas e a inflação deverá continuar bem acima da meta por um período prolongado".
"As perspetivas permanecem altamente incertas, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento económico", afirmou o BCE em comunicado após uma reunião em Berlim, mantendo a sua longa tradição de realizar uma reunião de política monetária por ano numa cidade diferente da zona euro.
A taxa de depósito, que serve de referência, foi elevada para 2,50%. "As perspetivas permanecem muito incertas, com riscos de subida para a inflação e de descida para o crescimento económico", indica o comunicado com as decisões do dia.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a instituição "não se compromete com um caminho específico” e frisou que as “perspetivas continuam muito incertas”.
"O conflito no Médio Oriente e os recentes desenvolvimentos da guerra injustificada da Rússia contra a Ucrânia elevaram ainda mais a trajetória dos preços da energia. É provável que isto mantenha a inflação total muito acima da meta até ao primeiro semestre de 2027".
A presidente do BCE deixou ainda o alerta para a possibilidade de que “novas interrupções no fornecimento de energia poderão provocar uma subida ainda maior e mais prolongada dos preços da energia do que a atualmente prevista. Isto pressionaria o rendimento real, os gastos e o investimento”.
"Estamos empenhados em definir a política monetária de forma a garantir que a inflação estabilize na nossa meta de 2% a médio prazo. Adotaremos uma abordagem dependente dos dados e decidiremos em cada reunião qual a orientação adequada para a política monetária. As nossas decisões sobre as taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos associados, à luz dos dados económicos e financeiros mais recentes, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária. Não nos comprometemos previamente com uma trajetória específica para as taxas.", acrescentou.
Lagarde deixou a garantia que o BCE está pronto a “ajustar todos os instrumentos para assegurar que a inflação estabiliza de uma forma sustentada em relação à meta para longo prazo e assegurar uma transmissão suave da política monetária”.
Maior crescimento e inflaçãoOs economistas do Banco Central Europeu (BCE) mantiveram as previsões para a inflação este ano, que deverá atingir os 3,0%, e reviram em alta o crescimento económico em 0,1 pontos percentuais, para 0,9%.
No caso da inflação, a estimativa é que este ano atinja os 3,0%, passando para os 2,3% no próximo ano e 2,1% em 2028.
A previsão deste ano mantém-se face às estimativas divulgadas em junho, mas representa subidas de 0,2 pontos percentuais no caso de 2027 e de 0,1 pontos percentuais em relação a 2028.
No caso da inflação, a estimativa é que este ano atinja os 3,0%, passando para os 2,3% no próximo ano e 2,1% em 2028.
A previsão deste ano mantém-se face às estimativas divulgadas em junho, mas representa subidas de 0,2 pontos percentuais no caso de 2027 e de 0,1 pontos percentuais em relação a 2028.
Também no caso da inflação excluindo preços dos produtos energéticos e dos produtos alimentares a previsão para este ano permaneceu igual face à de junho, em 2,5%.
Tanto a estimativa para 2027 como para 2028 tiveram revisões em alta de 0,1 pontos percentuais, para 2,6% e 2,3%, respetivamente.
Já quanto à previsão do crescimento da economia, os economistas do BCE calcularam uma subida de 0,9% este ano, acima dos 0,8% em junho.
Para 2027, o crescimento deverá ser de 1,4%, contra 1,2% estimados em junho, e em 2028 1,5%, inalterado face à previsão anterior.
Na reunião de julho, o Conselho de Governadores manteve por unanimidade as taxas diretoras, como era esperado pelo mercado, depois de na anterior reunião de política monetária, em 11 de junho, ter aumentado, pela primeira vez desde 2023, as três taxas diretoras em 0,25 pontos percentuais para responder ao aumento dos preços globais provocado pelo conflito do Médio Oriente.
Na ocasião, presidente do BCE, Christine Lagarde, disse na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores que em setembro o BCE teria dados novos para tomar a decisão sobre as taxas diretoras e que, por isso, seria possível que decidisse aumentá-las.Inflação subiu em agostoO Instituto Nacional de Estatística confirmou esta quinta-feira a aceleração da taxa de inflação para 3,3%, uma taxa superior em 0,3 pontos percentuais em relação ao valor registado em julho. A aceleração é "quase na totalidade explicada pelo aumento do preço do gasóleo", refere o INE.
Na zona euro, os números da inflação de agosto dissiparam as dúvidas restantes, com a inflação a atingir 3,3%, face a 2,9% em julho, o valor mais alto desde setembro de 2023, à medida que a inflação da energia disparou para 14,3%, contra 10,3%.
Na ocasião, presidente do BCE, Christine Lagarde, disse na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores que em setembro o BCE teria dados novos para tomar a decisão sobre as taxas diretoras e que, por isso, seria possível que decidisse aumentá-las.Inflação subiu em agostoO Instituto Nacional de Estatística confirmou esta quinta-feira a aceleração da taxa de inflação para 3,3%, uma taxa superior em 0,3 pontos percentuais em relação ao valor registado em julho. A aceleração é "quase na totalidade explicada pelo aumento do preço do gasóleo", refere o INE.
Na zona euro, os números da inflação de agosto dissiparam as dúvidas restantes, com a inflação a atingir 3,3%, face a 2,9% em julho, o valor mais alto desde setembro de 2023, à medida que a inflação da energia disparou para 14,3%, contra 10,3%.
Em agosto, a inflação foi de 4,5% em Espanha, 2,9% na Alemanha e 2,7% em França: três economias sujeitas ao mesmo choque energético, com resultados muito diferentes, todas reguladas por uma única taxa de juro.
O preço do barril de Brent — referência para a Europa — voltou a superar o patamar dos 100 dólares esta quarta-feira pela primeira vez desde 24 de julho com mais uma escalada no conflito no Médio Oriente que opõe EUA e Israel ao Irão.