Boeing reduz produção do avião 737 MAX envolvido em acidentes fatais

A Boeing anunciou na sexta-feira que vai reduzir a produção do 737 Max já este mês. É uma tentativa de travar o crescente risco financeiro que enfrenta, já que os voos desta aeronave - a mais vendida - estão proibidos em vários países, depois dos acidentes fatais ocorridos na Etiópia e na Indonésia.

RTP /
Imagem aérea de vários aparelhos Boeing 737 MAX numa fábrica em Renton, Washington Lindsey Wasson - Reuters

A redução na produção é temporária mas começa já a partir de meados de abril. A produção do aparelho será reduzida de 52 para 42 por mês, segundo confirmou a empresa através de um comunicado.

Paralelamente, a empresa tenta solucionar a avaria nos sistemas de controlo de voo, que tem sido apontada como responsável pelos acidentes recentes envolvendo este modelo da Boeing.

De acordo com o relatório preliminar ao acidente com um Boeing 737 Max da Ethiopian Airlines, registaram-se falhas na leitura dos sensores que fizeram disparar um sistema que forçou o nariz do avião para baixo (sistema anti-stall, também conhecido por MCAS). O relatório final só deverá ser conhecido em março de 2020.

A mesma conclusão foi retirada no relatório preliminar sobre o recente desastre aéreo da Lion Air, na Indonésia. Em ambos os casos, os pilotos tentaram, sem sucesso, assumir o controlo de um sistema que está automatizado.
"Temos a responsabilidade"
Nos dois casos, o sistema anti-stall assumiu que o avião estava a elevar-se em demasia e terá forçado o avião a descer, com o aparelho a entrar em trajetória descendente contra a vontade do piloto, que não conseguiu recuperar o controlo.

No caso ocorrido em outubro, na Indonésia, o sistema automático terá forçado a descida do avião dezenas de vezes. O relatório final sobre o que aconteceu com o aparelho da Lion Air será conhecido em agosto.

"Sabemos que os acidentes recentes do voo Lion Air 640 e Ethiopian Airlines 302 foram causados por uma cadeia de eventos, com um elo comum na cadeia de ativação da funcionalidade MCAS. Temos a responsabilidade de eliminar este risco, e sabemos como fazê-lo", disse o CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, em comunicado.

Um Boeing 737 Max 8 Jet da Ethiopian Airlines despenhou-se em 10 de março pouco depois de ter descolado de Adis Abeba, capital da Etiópia, resultando na morte de todas as 157 pessoas a bordo.

Este foi o segundo acidente com este modelo de avião em cinco meses. Em outubro, a queda de um Boeing 737 MAX da Lion Air, na Indonésia, provocou 189 mortos.

A sequência de acidentes levou a que vários países e companhias aéreas de todo o mundo suspendessem os voos com o modelo da Boeing em causa. Em março, a própria Boeing já tinha suspendido as entregas do 737 Max.
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