Bondalti reage a parecer desfavorável da Ercros a OPA e aponta omissões e incorreções

Bondalti reage a parecer desfavorável da Ercros a OPA e aponta omissões e incorreções

A empresa química nacional contesta o que chama de "graves omissões, induções em erro e incorreções relativamente ao próprio relatório emitido pelo Conselho de administração" da Ercros.

Ana Sofia Rodrigues - RTP /
Foto: Bondalti

A empresa portuguesa Bondalti considera que o parecer desfavorável emitido na quinta-feira pela administração da espanhola Ercros não reúne a unanimidade de todos os administradores, salientado que o relatório considera justo o preço de oferta pública de aquisição (OPA) lançado pela Bondalti.

O conselho de administração da empresa química Ercros emitiu na quinta-feira um parecer "desfavorável" à oferta pública de aquisição (OPA), lançada pela portuguesa Bondalti sobre 100% do capital da espanhola, um relatório aprovado “por maioria” dos seus membros. Esta sexta-feira, a empresa portuguesa vem avaliar positivamente alguns aspetos do relatório emitido ontem pela espanhola Ercros, dizendo que “o documento reconhece aspetos fundamentais que reforçam a solidez da oferta apresentada”.

No relatório, a empresa portuguesa valoriza “o facto de o relatório independente da Evercore, contratada pela própria Ercros, considerar o preço da oferta "justo”, e ainda a posição dos sindicatos que, “enquanto principais representantes dos trabalhadores da Ercros, apoiam a OPA por considerarem que pode contribuir para reforçar a estabilidade, a viabilidade industrial e o futuro dos trabalhadores num contexto complexo, tanto para a Ercros como para a indústria química europeia”. Em 10 de fevereiro, a Comissão Nacional do Mercado de Valores autorizou esta oferta de compra por parte da portuguesa Bondalti, que se propõe pagar em dinheiro um total de 3,505 euros por cada ação da empresa catalã.

A Bondalti salienta ainda que o relatório emitido ontem pelo Conselho de Administração da Ercros “não reúne a unanimidade de todos os administradores”.

A empresa elenca ainda, em comunicado de imprensa enviado esta sexta-feira às redações, "omissões, induções em erro e incorreções na comunicação que foi realizada pela Ercros à comunicação social".

“O comunicado omite a conclusão do perito independente Evercore, contratado pela Ercros, sugundo a qual o preço oferecido é justo”, ignora a falta de unanimidade na opinião dos administradores, não refletindo a opinião favorável à OPA da administradora D.ª Lourdes Vega Fernández, nem a vontade do administrador D. Eduardo Sánchez Morrondo”, revela o comunicado.
Em março de 2024, a empresa química portuguesa Bondalti lançou uma OPA sobre 100% das ações da Ercros, num valor total que ronda os 329 milhões de euros.
Acrescenta ainda que o “comunicado não faz qualquer referência ao relatório favorável à OPA emitido pelas Secções Sindicais Maioritárias da CCOO e da UGT na Ercros”.

Por outro lado, “sobre a referência à dívida da Ercros, comunicado omite que uma parte significativa dos bancos que financiam a OPA são também financiadores atuais da Ercros, conhecendo assim perfeitamente o seu balanço”.

A empresa diz ainda que “o comunicado não refere que a Ercros atualmente já não distribui dividendos e que a sua política atual de dividendos exige condições financeiras que a empresa está longe de cumprir neste momento”.

“Relativamente aos compromissos assumidos pela Bondalti, o comunicado da Ercros omite que a imposição de vender hipoclorito de sódio ao preço de custo durante um período máximo de 15 anos está limitada a 85 mil toneladas. Assim, os compromissos assumidos são delimitados e o seu impacto económico foi quantificado, tal como se indica no Prospeto da Oferta”, refere a informação enviada pela Bondalti.

“O relatório indica que nas duas últimas assembleias gerais os acionistas da Ercros 
manifestaram de forma maioritária a sua opinião desfavorável à OPA, tanto relativamente ao projeto industrial apresentado pela Bondalti como ao preço da oferta; no entanto, não há registo de que tenha havido qualquer votação a este respeito, muito menos de que esta tenha sido rejeitada por uma maioria”, pode ler-se no comunicado de imprensa da Bondalti.

“Surpreende que uma empresa cotada com uma equipa de gestão à frente da mesma há muitos anos pretenda também associar o fraco desempenho da Ercros à existência de uma Oferta não solicitada, afirmando que a mesma constituiu uma perturbação no normal desenvolvimento da empresa ao longo destes dois anos”, refere.

“A Bondalti considera que a Ercros emite um grave juízo de valor ao insinuar que a Ercros ficaria diluída e perderia a sua relevância num conglomerado muito maior cujo negócio principal não é o químico, quando tal não corresponde à realidade. A indústria química tem sido o negócio fundador do Grupo José de Mello desde a sua criação em 1898. Hoje, a Bondalti é um dos líderes europeus em vendas de anilina e o maior produtor ibérico de cloro”, refere a empresa portuguesa no comunicado enviado às redações.

O prazo de aceitação da OPA da Bondalti vai de 12 de fevereiro a 13 de março.

A Bondalti é um grupo industrial ibérico, com implantação em Espanha há mais de 20 anos, e conta com o apoio financeiro do Grupo José de Mello.
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