BPI admite vender participação no moçambicano BCI
O presidente do BPI disse hoje, em conferência de imprensa, que o banco quer continuar a reduzir a participação no angolano BFA e vender a posição no moçambicano BCI.
João Pedro Oliveira e Costa disse que as participações em Angola e Moçambique "não são estratégicas" e, questionado pelos jornalistas, assumiu que isso significa que admite vender.
"Quando afirmo publicamente que são participações não estratégicas quer dizer que estou disponível para vender", afirmou na conferência de imprensa em Lisboa de apresentação dos resultados de 2025.
O Banco BPI teve lucros consolidados de 512 milhões de euros em 2025, menos 13% do que no ano anterior, o que atribuiu sobretudo às participações em Angola (BFA) e Moçambique (BCI).
O BFA contribuiu 43 milhões para os lucros do BPI, mais quatro milhões do que os 39 milhões de euros de 2024.
Já o BCI teve um contributo negativo de 20 milhões de euros devido à deterioração da dívida de Moçambique (face a 38 milhões de euros positivos em 2024).
Sobre o banco em Moçambique, Oliveira e Costa disse que o BPI não irá fazer nada sem "informação prévia à CGD".
O gestor criticou mesmo a forma com as autoridades moçambicanas trataram o banco.
Sobre Angola, voltou a dizer que o BPI quer reduzir a participação mas que nunca o fará criando instabilidade no setor do país.
Em setembro, o BPI vendeu 14,75% no angolano BFA, numa operação em que encaixou cerca de 103 milhões de euros, mantendo agora uma participação de 33,4%.
Em relação ao BCI, o BPI detém 35,67%, enquanto a maioria do capital está na Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Sobre a morte do administrador financeiro do Banco Comercial e de Investimentos (BCI) em Moçambique, Pedro Ferraz Reis, o presidente do BPI disse que ficou "complemente chocado" pois conheceu-o há mais de 20 anos e o gestor tinha "elevadíssimas qualidades pessoais e intelectuais".
Oliveira e Costa agradeceu ainda ao Governo e ao Presidente da República pelo apoio nesta situação e recordou a dor da família.
Pedro Ferraz, administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do BPI, suicidou-se numa casa de banho pública do Polana Serena Hotel, em Maputo, no dia 19 de janeiro, segundo as autoridades.