BPI “não reconhece versão dos factos” de Isabel dos Santos

O BPI rejeita a “versão dos factos” apresentada esta terça-feira pela Santoro Finance. O banco emitiu um novo comunicado no qual reafirma que a empresa de Isabel dos Santos e o CaixaBank comunicaram, a 10 de abril, que as negociações tinham "encerrado com sucesso".

Ana Sanlez - RTP /
Reuters

É o mais recente capítulo da saga "BPI". Em resposta ao comunicado publicado na tarde desta terça-feira pela Santoro Finance, o BPI esclarece numa nova nota enviada à CMVM que “não reconhece a versão dos factos apresentada” pela empresa de Isabel dos Santos, nomeadamente no que diz respeito ao desfecho das negociações entre a empresária angolana e os espanhóis.

O BPI “reafirma que lhe foi comunicado pela Santoro Finance e pelo CaixaBank, em 10 de Abril, que “se encerraram com sucesso”, naquele dia, as negociações que envolveram aquelas entidades com o objectivo de “encontrar uma solução para a situação de incumprimento pelo Banco BPI do limite dos grandes riscos”.

O BPI insiste que a Santoro pediu alterações aos “documentos contratuais nos quais estava vertido o resultado das negociações” com o CaixaBank, e que por isso “desrespeitou o que tinha acordado, relativamente a obrigações que apenas diziam respeito à própria Santoro”.

O banco liderado por Fernando Ulrich desmente ainda que alguma vez tenha estado agendada uma reunião com o Banco de Fomento de Angola e com o regulador angolano, como clama a Santoro. A holding da empresária angolana garantiu que essa reunião nunca chegou a acontecer ”por alegada indisponibilidade dos representantes do BPI”.

Mas o banco alega que “tal reunião nunca foi solicitada pelo BNA e nunca esteve, portanto, agendada. O Banco declara, a este propósito, que sempre esteve e estará disponível para responder às solicitações do BNA, instituição com a qual sempre manteve e continua a manter um relacionamento de plena colaboração”, esclarece o BPI.
As acusações de Isabel dos Santos
A resposta do BPI surge na sequência do comunicado emitido esta terça-feira pela Santoro, no qual a empresa de Isabel dos Santos, que detém 18,58 por cento do capital do BPI, garante que o acordo com o CaixaBank “nunca foi finalizado”, e que por isso não houve “qualquer quebra do acordo da parte da Santoro”.

A empresária angolana refere que o “ponto crítico” das negociações com o CaixaBank foi o spin-off do BFA, que implicaria a entrada do BFA em bolsa, e que foi nessa questão, qualificada pela Santoro como “inegociável”, que residiu a “constante fratura com o CaixaBank, com o BPI e com alguns reguladores”.

Isabel dos Santos criticou ainda o Governo português, por ter tomado “uma medida historicamente sem precedentes e declaradamente parcial”, com a aprovação do decreto-lei que possibilita a desblindagem dos estatutos do BPI. Para a empresária angolana, o Executivo de António Costa favoreceu o CaixaBank com a aprovação da lei que prevê que os acionistas tenham de rever regularmente a manutenção das restrições dos direitos de voto das empresas.

Em causa está a OPA do CaixaBank ao BPI, lançada esta segunda-feira. Os espanhóis oferecem 1,13 euros por ação, sendo a desblindagem dos estatutos condição essencial para o sucesso da operação.

O BPI está desde o passado dia 10 de abril sujeito a sanções do Banco Central Europeu, “em resultado da situação de ultrapassagem do limite dos grandes riscos”, por estar exposto aos riscos do mercado angolano, em resultado da participação superior a 50 por cento no capital do BFA.

O BPI garante que “está em contacto com Banco Central Europeu para ser encontrada uma alternativa para a situação de incumprimento do limite de grandes riscos”.


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