Bruxelas admite que países da UE adotem impostos nacionais sobre lucros extraordinários

Bruxelas admite que países da UE adotem impostos nacionais sobre lucros extraordinários

A Comissão Europeia admitiu hoje que os países da União Europeia (UE) avancem com impostos sobre os lucros extraordinários das energéticas, mas disse ser difícil adotar esta medida ao nível europeu dada a necessária unanimidade.

Lusa /

"Os Estados-membros podem adotar medidas de tributação sobre lucros extraordinários para garantir a justiça social. A Comissão respeitará as decisões dos Estados-membros e prestará apoio, fornecendo boas práticas sobre medidas nacionais, bem como avaliando o seu impacto no mercado único", refere o executivo comunitário numa comunicação hoje publicada com medidas para fazer face à atual crise energética.

A posição surge numa altura em que a Comissão Europeia analisa o pedido do ministro das Finanças português, Joaquim Miranda Sarmento, e dos seus homólogos da Alemanha, Espanha, Itália e Áustria para criação ao nível da UE de um imposto sobre os lucros extraordinários das energéticas, semelhante às medidas para conter a crise energética de 2022.

Em conferência de imprensa em Bruxelas, a vice-presidente executiva responsável pela transição para uma economia limpa, justa e competitiva, Teresa Ribera, lembrou que "um imposto comum exige unanimidade".

"Pode não ser fácil alcançar essa unanimidade porque podem existir diferentes perspetivas sobre como lidar com a questão ou sobre como desenvolver tecnicamente uma medida que se aplique a todo o continente europeu", explicou.

"Assim, o que pode fazer sentido - como fazemos nesta comunicação e estamos totalmente disponíveis para continuar a fazer - é identificar a forma mais sólida de oferecer alternativas aos Estados-membros que estejam dispostos a adotar esta medida, garantindo que seja o mais robusta possível", referiu Teresa Ribera, prometendo trabalhar com os países que "queiram seguir esta abordagem".

A responsável espanhola destacou ainda a "preocupação com a justiça" social dos países que propuseram a medida.

Porém, "neste momento não conseguimos identificar a possibilidade de tomar uma decisão comum sobre a implementação de um imposto comum em toda a União Europeia", adiantou.

Bruxelas divulgou, esta manhã, um conjunto de medidas para fazer face aos elevados preços da energia, incluindo apoio direcionado a consumidores e empresas, possíveis reduções fiscais e ajustes de tarifas e utilização de instrumentos de mercado e reservas estratégicas.

A UE importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.

Apesar de Bruxelas garantir não haver problemas no abastecimento de petróleo e de gás à UE, já se assiste à volatilidade dos preços, aumento dos custos para famílias e empresas, pressão inflacionista e perturbações na indústria e nos transportes, havendo maior sentido de urgência em diversificar fornecedores e acelerar a transição para fontes de energia mais seguras e renováveis.

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