Bruxelas investiga Meta por falta de proteção de menores no Facebook e Instagram

por RTP
Reuters

A Comissão Europeia anunciou esta quinta-feira ter avançado com um procedimento formal contra a tecnológica norte-americana Meta por estar "preocupada" com alegadas violações das regras na proteção de menores no Facebook e Instagram, nomeadamente por estímulos à dependência comportamental. A empresa de Mark Zuckerberg já reagiu, garantindo que utiliza dezenas de ferramentas para proteger as crianças e jovens.

Em comunicado, o executivo comunitário indica ter dado "início a um processo formal para avaliar se a Meta, o fornecedor do Facebook e do Instagram, poderá ter violado a Lei dos Serviços Digitais em áreas relacionadas com a proteção de menores".

"A Comissão está preocupada com o facto de os sistemas do Facebook e do Instagram, incluindo os seus algoritmos, poderem estimular vícios comportamentais nas crianças, bem como criar os chamados efeitos de rabbit-hole. Além disso, a Comissão está igualmente preocupada com os métodos de verificação e de controlo da idade implementados pelo Meta", acrescenta a instituição na nota.

Estes efeitos de rabbit-hole traduzem-se em situações de dependência que podem conduzir ao isolamento e à violência.

A abertura do processo formal à Meta surge após uma análise a relatórios de avaliação de riscos.

Citada na nota, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma Europa Preparada para a Era Digital e responsável pela pasta da Concorrência, Margrethe Vestager, dá conta da "preocupação com o facto de o Facebook e o Instagram poderem estimular a dependência comportamental e de os métodos de verificação da idade que a Meta implementou nos seus serviços não serem adequados".

Por isso, "iremos agora proceder a uma investigação aprofundada" para "proteger a saúde mental e física dos jovens", adianta Margrethe Vestager.

Por seu lado, o comissário europeu do Mercado Interno, Thierry Breton, assinala que a Meta "não tem feito o suficiente para cumprir as obrigações impostas pela Lei dos Serviços Digitais para atenuar os riscos de efeitos negativos para a saúde física e mental dos jovens europeus nas suas plataformas Facebook e Instagram".

Bruxelas vai agora avançar com uma investigação aprofundada com caráter prioritário e recolher elementos de prova.
Meta diz ter 50 ferramentas para proteger menores
A Meta já reagiu ao anúncio, garantindo que atualmente já utiliza várias dezenas de ferramentas online para proteger menores.

"Queremos que os jovens tenham experiências online seguras e apropriadas à idade, pelo que passámos uma década a desenvolver mais de 50 ferramentas e políticas destinadas a protegê-los", assegurou a empresa.

A gigante da tecnologia referiu ainda que "este é um desafio que a indústria está a enfrentar" e que espera poder "partilhar detalhes" do seu trabalho com a Comissão Europeia em breve.

No final de abril, a Comissão Europeia já tinha avançado com um processo formal contra a Meta, em relação ao Facebook e ao Instagram, sobre publicidade enganosa, conteúdos políticos, mecanismos de notificação e ação, acesso aos dados por parte dos investigadores, bem como sobre a indisponibilidade de um instrumento eficaz de monitorização do discurso cívico e das eleições antes do sufrágio para o Parlamento Europeu.

A UE tornou-se, desde final de agosto passado e após um período de adaptação, a primeira jurisdição do mundo com regras para plataformas digitais como Facebook e Instagram, que passam a estar obrigadas a remover conteúdos ilegais.

As empresas que não cumprem esta nova legislação podem ter coimas proporcionais à sua dimensão, sendo que as companhias de maior dimensão podem ser sancionadas até 6% do seu volume de negócios global.

São alvo destas regras plataformas em linha de muito grande dimensão, com 45 milhões de utilizadores ativos mensais, entre as quais o Facebook e o Instagram.

A Lei dos Serviços Digitais foi criada para proteger os direitos fundamentais dos utilizadores online e tornou-se numa legislação inédita para o espaço digital que responsabiliza plataformas por conteúdos ilegais e prejudiciais, nomeadamente desinformação.

c/ Lusa

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