Carris Metropolitana reforça autocarros elétricos sem certezas sobre quando vêm os próximos

Carris Metropolitana reforça autocarros elétricos sem certezas sobre quando vêm os próximos

A marca de autocarros da Área Metropolitana de Lisboa apresentou 37 novos autocarros elétricos. A gestora da transportadora alerta que se aguardam novas linhas de financiamento, sem que esteja prevista uma chegada substancial de mais veículos no próximo ano. A secretária de Estado da Mobilidade explica que estão a ser estudadas novas oportunidades.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Novos autocarros elétricos foram apresentados nas instalações da Rodoviária de Lisboa, em Santa Iria de Azóia | Foto: Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1

O presidente dos Transporte Metropolitanos de Lisboa (TML), responsável pela Carris Metropolitana, assinala que ao fim de sete anos já se notam os efeitos da eletrificação no total da frota. Em 2019, quando grande parte da frota era nova, "não chegava a 5%" a fatia dos elétricos, mas em 2026, representa já 14% de todos os veículos.

"Na nossa opinião, ainda é insuficiente, é preciso paulatinamente continuar a investir e sabemos que os operadores estão muito empenhados nisso", afirmou Carlos Humberto de Carvalho em declarações à RTP Antena 1, na última quinta-feira, à margem da apresentação de 37 novos autocarros elétricos da Rodoviária de Lisboa (RL), um dos operadores da Carris Metropolitana.

O objetivo é chegar aos 100% em 2030, e o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ajudou nos últimos anos, mas o presidente da TML avisa que no próximo não se preveem mais veículos elétricos. "Só em 2028 é que pensamos que vão chegar mais autocarros elétricos", aponta, sem ter uma previsão de números. Sem previsão de chegadas para o próximo ano, Carlos Humberto avisa que que ainda não há mais financiamento disponível: "Alguns dos operadores estão à espera que abram novas fontes de financiamento do Estado Central" para poder fazer encomendas.
Portugal em Direto | 16 de outubro de 2026

Questionada pela RTP Antena 1, à margem deste evento que aconteceu na garagem da RL em Santa Iria da Azóia, em Loures, a secretária de Estado da Mobilidade garante que estão a ser estudadas novas formas de financiamento para continuar a eletrificação. Reconhecendo a importância do PRR, Cristina Pinto Dias diz que "o Governo não parou de olhar para as alternativas, e estamos a estudar e a avaliar".

"Sabemos que a Comissão Europeia vai desenvolver novos apoios e, portanto, vamos estar atentos a tudo o que surgir e que nos possamos candidatar, nós ou as autoridades de transporte diretamente", acrescenta. 

Em 2023, num balanço feito à RTP Antena 1 com dados do Instituto de Mobilidade e dos Transportes (IMT), cerca de 2% dos autocarros de passageiros em Portugal eram elétricos. A governante assinala uma "evolução no sentido positivo" e, sem ter números atuais presentes, apontou o exemplo do distrito de Santarém, em que "100% da sua frota é uma frota eletrificada". 
Carris Metropolitana antecipa-se a avisos do Tribunal de Contas

Com uma frota cada mais elétrica e com a oferta de autocarros a aumentar na região de Lisboa, à boleia da Carris Metropolitana, a oferta tem crescido ao ponto da TML já ter pedido ao Tribunal de Contas (TdC) para mudar tetos financeiros, permitindo assim mais oferta. O pedido já foi feito para as operadoras da margem sul do Tejo, nas áreas 3 e 4, e o mesmo vai acontecer nos próximos dias para a margem norte, nas áreas 1 e 2. 

"O Tribunal de Contas permite-nos gastar até um determinado teto e nós temos que gerir", começa por explicar Carlos Humberto de Carvalho, que refere estar a ser pedido ao TdC para aumentar esse teto antes de receber algum aviso deste órgão. 

Para o responsável da TML, a oferta e a procura vão continuar a aumentar, mas, além do condicionamento dos tetos do Tribunal de Contas, sublinha que tem sido possível ter mais viaturas e motoristas. Mas insiste num tópico sobre o qual tem vindo a alertar: as limitações dos terminais da Área Metropolitana de Lisboa e a falta de corredores BUS.

"As estradas, os terminais de transportes e os interfaces têm limites e, portanto, em alguns casos, não temos mais oferta não porque não tenhamos autocarros ou meios financeiros, mas porque não temos sítio", avisa. Embora reconheça que estas medidas "não são fáceis", aponta que tem existido uma "consciência maior" sobre estas problemáticas, ainda que sem apontar exemplos de melhorias recentes. 

Depois destas declarações, a RTP Antena 1 questionou no local o anfitrião geográfico deste evento - o presidente da Câmara Municipal de Loures. Sem apontar novos casos de corredores BUS desenvolvidos no concelho, Ricardo Leão mostrou-se expectante de que seja possível à Carris Metropolitana usar o canal que surgirá em Loures para a LIOS (Linha Intermodal Oriental Sustentável), composta por autocarros elétricos em via própria (BRT - Bus Rapid Transit).

"Esse circuito próprio vai ser utilizado também pela Carris Metropolitana", afirma Ricardo Leão. Sobre os terminais, diz que esse não é um problema no concelho, deixando ainda o apelo à TML para o reforço de transportes dentro do concelho: "Temos muita procura nas horas de ponta, principalmente para Lisboa, mas também há uma grande procura do ponto de vista da deslocação dentro do próprio concelho, e aí há que aumentar essa oferta também".
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