Catedráticos divididos quanto a uma possível saída do Euro

por Miguel Soares

Foto: Regis Duvignau - Reuters

Sair ou não da moeda única? Eis uma questão que vale muito dinheiro. As posições entre os vários professores de economia em Portugal não são unânimes.

O professor de Economia da Universidade de Coimbra, João Rodrigues, um dos autores do livro "A financeirização do capitalismo", defende a saída da moeda única, e refere que vai ser uma questão de tempo até os vários governos, incluindo o português, se aperceberem que o Euro só prejudica as economias.

Já João Duque, professor de Economia do Instituto Superior de Economia e Gestão, rejeita a solução proposta por Stiglitz e explicou à Antena 1 que a saída do Euro traz muita incerteza.

O professor do ISEG refere que a solução passa por uma maior integração e levanta mesmo suspeitas por Stiglitz, prémio Nobel da Economia, ser norte-americano e ter, possivelmente, interesse em fragilizar a União Europeia.

No seguimento deste tema a agência Lusa divulga um estudo de um outro professor do ISEG, Tiago Cardão-Pito e do investigador Diogo Batista, em que os dois analisaram o desempenho do setor bancário português desde a adesão de Portugal ao Euro.

A conclusão desta análise identifica fragilidades na economia portuguesa, desde a adesão a moeda única, e conclue que a crise da dívida está associada à crise bancária gerada pelo processo de integração na moeda única e pelo comportamento dos bancos portugueses nos primeiros anos do euro.

Na investigação, Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista analisaram os episódios de crises bancárias em Portugal entre 2008 e 2015, nomeadamente com o BPP, o BPN, o BES e o Banif.
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