CGD. PSD e CDS-PP pedem acesso a documentos não disponibilizados à EY
Lisboa, 27 mar (Lusa) - O PSD e o CDS-PP pediram hoje acesso aos documentos, que a EY revelou não lhe terem sido disponibilizados, relativos a quatro dos 25 créditos mais problemáticos identificados na auditoria realizada à CGD.
No início da audição ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que está a ser ouvido na Assembleia da República, o deputado do CDS-PP João Almeida disse que "se a CGD tem [os documentos], os deve enviar imediatamante" à comissão parlamentar de inquérito.
Também o PSD apresentou um requerimento ao presidente da comissão, Luís Leite Ramos, em que solicita "com caráter de urgência" ao banco público "toda a informação que não esteja sob segredo de justiça, na posse da CGD, relativa aos quatro contratos referidos".
O PSD pede ainda "um cabal esclarecimento sobre a razão pela qual não foi disponibilizada pela CGD à EY, toda a informação que a mesma solicitou e que a CGD diz ter na sua posse, especificamente, a respeitante aos quatro créditos mencionados".
"Esta omissão, que condicionou o trabalho da EY, e nos causa grande preocupação, levanta-nos sérias dúvidas sobre a validade das conclusões do trabalho", alegam os sociais-democratas.
Na terça-feira, a auditora EY admitiu que não lhe foi disponibilizada documentação relativa a contratos de quatro dos 25 créditos mais problemáticos identificados na auditoria que realizou à CGD.
Nessa ocasião, a deputada do CDS-PP Cecília Meireles questionou Florbela Lima, `partner` da EY: "Alguma informação tem de haver para se saber que existem devedores. O que pergunto é se há contratos assinados ou não há contratos assinados?".
"Relativamente a contratos, pareceres, despachos, no fundo a informação mínima crítica considerada por nós relevante para fazer a análise (...), ela não nos foi disponibilizada", referiu Florbela Lima.
Cecília Meireles apelou a Florbela Lima para que percebesse a "estranheza", uma vez que sem contratos, "no limite, esta pessoa pode nem ser devedora".
"Eu não estou a dizer que não existe contrato, estou a dizer que o contrato não nos foi disponibilizado", ressalvou a responsável da auditora EY.
Florbela Lima referiu ainda que a documentação trazida da Caixa foi a "original, à data", e que "a informação não estava lá", perante uma pergunta da deputada centrista sobre se o banco público não mantinha a informação noutro suporte.
"Independentemente de o Ministério Público precisar desta informação, eu presumo que a Caixa continue a tentar recuperar os créditos. Como é que o pode fazer sem suporte documental?", perguntou Cecília Meireles.
"Essa informação não estava disponível na Caixa Geral de Depósitos e não nos foi disponibilizada", insistiu a `partner` da EY, incluindo, "em particular", a que estava no Ministério Público.
Para Cecília Meireles, "o facto de [o contrato] não ter sido disponibilizado é um indício bastante forte de que ele não existe".
Posteriormente, fonte oficial da CGD esclareceu à Lusa que a CGD tem os contratos de todos os créditos e legitimidade para os recuperar.
"A CGD confirma a formalização contratual respeitante aos quatro créditos mencionados como parte do `top` 25 do relatório de auditoria da EY", esclareceu fonte oficial da CGD.
"A CGD esclarece ainda que das 60 operações referidas na audição, apenas 24 tinham exposição à data de dezembro de 2015, confirmando a CGD que tem os documentos contratuais que identificam e legitimam integralmente a sua posição e direitos", informa a mesma fonte.
No esclarecimento, a mesma fonte oficial reitera que "das 60 operações que vêm de há muitos anos, em dezembro de 2015, data em que termina o período de análise da EY, já só estão vivas 24 operações", pois "as restantes já estavam resolvidas".
"Das 24, a Caixa tem contratos de todas elas, sendo que, por essa ordem, tem também os contratos das quatro operações referidas pela EY do `top` 25 dos maiores credores", reafirma o banco público.