CGD vai analisar reembolso ao Estado de 900 milhões de euros no plano de negócios até 2017
O presidente executivo da CGD afirmou hoje que a devolução dos 900 milhões de euros que o Estado injetou será analisada no plano de negócios até 2017, acrescentando que outros bancos fizeram reembolsos porque houve aumentos de capital pelos acionistas.
"Não reembolsamos até agora e vamos ver no nosso plano de negócios até 2017 quais são as capacidades que temos para reembolsar", disse o CEO da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos, aos jornalistas, à margem da conferência da SIC Notícias "Portugal 2016 -- O Futuro do País e das Empresas", que decorreu na Alfândega do Porto.
Segundo o responsável, a CGD só é obrigada a reembolsar os 900 milhões de euros em obrigações contingentes (designadas `CoCos`), injetados em 2012, se tiver "o cumprimento de exigências regulamentares em matéria de rácio de capital mais um determinado `buffer` [almofada de capital]" acima do valor mínimo exigido".
"Como as exigências de capital têm aumentado significativamente nos últimos anos e incluindo o `buffer` sobre essas exigências, nós não somos obrigados a devolver, segundo as condições da Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia", acrescentou, considerando que "a situação é um pouco dual".
José de Matos destacou que nas instituições financeiras em que houve reembolso de `CoCos` tal não aconteceu "porque os bancos tiveram resultados positivos" que o permitissem fazer, mas porque "os seus acionistas tiveram oportunidade de fazer aportes de capital".
"(...) O que se passou é que o nosso acionista [o Estado] não fez - porque não pode ou porque não quis - aquilo que outros acionistas fizeram nos outros bancos privados, e bem, porque era suposto fazerem isso", vincou.
O responsável afirmou também que os apoios que os outros bancos tiveram do Estado são, "em termos relativos do seu balanço, muito superiores ao apoio que a CGD teve".
A Caixa tem até 2017 para devolver ao Estado os 900 milhões de euros em instrumentos de capital contingentes (`CoCo` bonds) que recebeu em 2012.
No caso dos outros bancos, até ao momento, o BPI foi o único que devolveu o dinheiro na totalidade, sendo que o BCP tem ainda de devolver 750 milhões de euros em `CoCos` e o Banif 125 milhões.