Chinesa GigaDevice estreia-se na Bolsa de Hong Kong com subida de 45%

A empresa de conceção de `chips` GigaDevice estreou-se hoje na Bolsa de Valores e Hong Kong a subir 45,1%, juntando-se a outras tecnológicas chinesas, impulsionadas pela aposta de Pequim na autossuficiência.

Lusa /
Reuters

As ações da GigaDevice começaram a ser negociadas a 235 dólares de Hong Kong (25,8 euros) por unidade, bem acima dos 162 dólares (17,8 euros) fixados para a oferta pública inicial, embora por volta das 11:00 (03:00 em Lisboa) a subida tivesse desacelerado para 37,7%.

A tecnológica angariou o equivalente a cerca de 600 milhões de dólares (514 milhões de euros) com esta operação, que atraiu uma procura 542 vezes superior à dimensão da oferta disponível de títulos.

Fundada em 2005, em Pequim, a GigaDevice concebe uma vasta gama de `chips`, entre os quais se destacam os `NOR flash`, utilizados para armazenar dados e código, um segmento em que detém a segunda maior quota de mercado mundial, com 18,5%, segundo indicou a empresa no prospeto dirigido aos investidores.

A GigaDevice já estava cotada desde 2016 na Bolsa de Xangai, a capital financeira da China, onde hoje as ações da empresa recuavam 3,3% cerca de duas horas após a abertura da sessão.

O entusiasmo mundial em torno do modelo de inteligência artificial (IA) ChatGPT, da norte-americana OpenAI, levou gigantes tecnológicos chineses como a Baidu ou a Alibaba a entrarem rapidamente na corrida neste setor.

Mas desde dezembro que as manchetes têm sido dominadas por empresas emergentes, de criação recente e praticamente desconhecidas até há pouco, que nas estreias em bolsa conseguiram valorizações de três dígitos.

Analistas atribuem a sucessão de estreias não só ao interesse dos investidores pelo crescimento da IA, mas também às expectativas de que a China apoie o setor.

Isto depois de Pequim ter declarado a autossuficiência tecnológica como uma prioridade para o novo plano quinquenal 2026-2030, no contexto da guerra comercial com os Estados Unidos, que evidenciou que a China ainda depende de terceiros em áreas-chave como a dos semicondutores.

A esperança dos investidores é que as tecnológicas chinesas, que continuam atrás das rivais norte-americanas em domínios como investigação, recursos ou inovação, continuem a reduzir a diferença ao nível das capacidades dos seus modelos e tirem partido da grande vantagem: oferecer serviços de IA a custos muito mais baixos.

 

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