Colapso do SVB. Eurogrupo garante solidez bancária e afasta risco de contágio

O colapso do norte-americano Silicon Valley Bank dominou na segunda-feira a reunião do Eurogrupo em Bruxelas, com alguns ministros europeus das Finanças a questionarem a oportunidade de subir as taxas de juro perante a "volatilidade dos mercados financeiros".

Graça Andrade Ramos - RTP /
A presidente do BCE. Christine Lagarde, e o comissário da UE para os Assuntos Ecónómicos, Paolo Gentiloni, de semblante preocupado na reunião do Eurogrupo a 13 de março de 2023 Reuters

A palavra de ordem na Europa é contudo sossegar os investidores e o público, garantindo que os bancos da União Europeia são "sólidos".

A Comissão Europeia afirma que está atenta e a acompanhar, em colaboração estreita com o Banco Central Europeu, a resposta ao colapso do californiano Silicon Valley Bank.

Não vê apesar disso "riscos específicos de contágio", até pelo facto "dos bancos europeus, todos e não apenas os grandes, terem saldos equilibrados segundo as normas de Basileia", afirmou Paolo Gentiloni, comissário da EU para os Assuntos Económicos.

"Estamos a acompanhar a possibilidade de ocorrer um impacto, mas não há risco significativo", garantiu o responsável europeu.

As autoridades europeias acreditam na solidez dos bancos europeus face ao embate "previsível". "Isso é uma coisa e a possibilidade de risco de contágio é outra", insistiu Gentiloni.
"Acalmem-se"
Fernando Medina, ministro das Franças de Portugal, lembrou à entrada da reunião do Eurogrupo que o sistema bancário europeu é robusto e acentuou diferenças face ao norte-americano.

Os supervisores de França e da Alemanha asseguraram por sua vez que nenhum dos seus bancos arrisca ser contagiado nem a falência do SVB constitui "uma ameaça à estabilidade financeira" dos países.

"Acalmem-se acalmem-se e olhem para a realidade", aconselhou o ministro francês da Economia, Bruno Le maire, aos investidores. "A realidade é que o sistema bancário francês não está exposto ao SVB. Não há ligações entre as diferentes situações" nos Estados Unidos e na Europa.

A turbulência gerada pelo colapso do SVB tem estado a refletir-se negativamente nas bolsas mundiais, com quedas acima dos 10 por cento de alguns bancos na Europa e gerando stress entre os investidores.

Em Espanha o Banco Sabadell foi um dos mais penalizados, com quebras de 11,8 por cento, mas o Bankinter caiu 8,54 por cento, o BBVA 8,24 por cento, o Santander 7,35 por cento e o CaixaBank 6,24 por cento.

A italiana Bper Banca, os alemães CommerzBank e Deutsche Bank e os holandeses ABN Amro e ING Group, registaram igualmente fortes quedas em bolsa.

Os principais índices europeus estão a ressentir-se. O Dax de Frankfurt caiu 3,04 por cento, o Cac francês 2,9 por cento e o FTse MIB italiano pouco mais de quatro por cento. O Euro Stoxx 50 retrocedeu 3,14 por cento, com o Ftse 100 britânico a registar uma quebra de somente 2,5 por cento.
Avaliar subida das taxas de juro
A Goldman Sachs antevê que esta, a pior crise do sistema financeiro desde 2008, quando colapsou o Lehman Brothers, possa levar a Reserva Federal norte-americana a recuar na subida de taxas antecipada para esta semana.

Face às incertezas e à entrada para a reunião do Eurogrupo, a vice-primeira-ministra espanhola, Nadia Calviño, apelou por sua vez o Banco Central Europeu à "máxima prudência", considerando que o BCE deveria meditar se será melhor adiar a subida das taxas de juro em meio ponto percentual marcada para esta quinta-feira.

"Neste momento e num contexto de volatilidade tão intensa é necessário que todos os agentes, públicos e privados, bancos, entidades financeiras e os responsáveis da política fiscal e monetária ajam com a máxima prudência", afirmou Calviño aos jornalistas num recado que considerou "bastante claro".

A vice-primeira-ministra de Espanha disse não ter sido informada de qualquer exposição concreta da banca espanhola a bancos eventualmente afetados na União Europeia pela crise do SVB.
Biden deixa garantias
A situação é mais preocupante para já nos EUA, onde as quebras dos bancos têm sido mais acentuadas, com o californiano First Republic a cair 60,49 por cento ao fim da manhã, tendo perdido mais de três quartos da sua capitalização em bolsa desde quarta-feira. Poderá ser o quarto banco a declarar falência nos EUA em menos de uma semana.

Governos e entidades financeiras tentam há vários dias conter o impacto da falência do SVB e uma corrida aos depósitos, que seria fatal.

A Administração Biden já afirmou que não vai injetar dinheiro dos contribuintes para salvar o SVB, uma das maiores entidades financiadoras de empresas tecnológicas e start ups, enquanto assegurava aos americanos que os seus depósitos estão “garantidos” e que o sistema bancário do país é "sólido".
Já declararam falência contudo outros dois bancos menores, expostos às criptomoedas, os Signature Bank e o Silvergate Bank, arrastados pela falência do SVB.

Na Europa, o HSBC do Reino Unido adquiriu por "uma libra simbólica" a sucursal britânica do SVB, como precaução. "Os clientes do SVB UK poderão aceder aos seus depósitos e serviços bancários normalmente a partir de hoje", garantiu o Tesouro britânico.
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