Economia
Comissão Europeia aprova compra do Banif pelo Santander
O Banco Internacional do Funchal foi vendido ao Santander num negócio relâmpago fechado no sábado anterior ao Natal de 2015, a 20 de dezembro. Por 150 milhões de euros.
O Conselho de Administração do Banif foi excluído desta negociação feita diretamente pelo Banco de Portugal e pela Comissão Europeia. Bruxelas deu agora o aval formal ao negócio.
O Santander Totta ficou com a generalidade da atividade do Banif, recebendo clientes e balcões, exceto os "activos problemáticos", a transferir para um fundo.
Fontes ligadas ao processo afirmaram que o banco poderia ter sido vendido pelo anterior Governo, em março de 2015, a um grupo chinês, o que teria poupado 2.200 milhões de euros aos contribuintes.
Maria Luís Albuquerque, então ministra das Finanças, terá considerado que, em ano de eleições e sem ter ainda vendido o Novo Banco, o negócio era inoportuno.
A venda do Banif realizou-se em curto espaço de tempo, após notícias de que o colapso do banco estaria iminente e que não havia sequer dinheiro em caixa. O processo visou alegadamente salvaguardar os clientes.
Perdas para o Estado
António Varela, ex-administrador do banco madeirense e representante do Estado, culpou depois em abril a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu pelo colapso da instituição.
Perante a comissão parlamentar de inquérito ao caso Banif, o responsável não poupou críticas ao processo que culminou com a resolução do banco. O Santander Totta, a TVI, a anterior gestão do Banif e as instituições europeias foram os principais alvos do gestor.
A resolução do banco resultou em perdas para o Estado na ordem dos 2,2 mil milhões de euros e num peso de 1,4 por cento no défice do ano passado.
A operação aconteceu no âmbito de uma medida de resolução que obrigou o Estado a mobilizar 2.255 milhões de euros, dos quais 489 milhões pelo Fundo de Resolução e 1.766 através de injecção direta.
Dedo acusador
"Porque é que o processo Banif correu tão mal? Correu tão mal no fim porque as instâncias europeias - a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia e o BCE - estiveram absolutamente empenhadas em não ter nenhuma responsabilidade no Banif a partir do final de 2015", declarou Varela perante os deputados da comissão.
Uma atitude justificada com a mudança das regras que iria entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2016 e que iria implicar que as resoluções de bancos europeus passassem a ser da responsabilidade do BCE e do Mecanismo Único de Supervisão, explicou o ex-administrador não executivo do banco.
"A partir de determinada altura, tínhamos a DG Comp a afirmar a imperatividade de o Banif ser resolvido até ao final de 2015, como aconteceu, e, por outro lado, a indisponibilidade do BCE a restringirem e dificultarem o processo de alienação do Banif, que tiveram como consequência as enormes perdas para os contribuintes", afirmou.
c/ Lusa
O Santander Totta ficou com a generalidade da atividade do Banif, recebendo clientes e balcões, exceto os "activos problemáticos", a transferir para um fundo.
Fontes ligadas ao processo afirmaram que o banco poderia ter sido vendido pelo anterior Governo, em março de 2015, a um grupo chinês, o que teria poupado 2.200 milhões de euros aos contribuintes.
Maria Luís Albuquerque, então ministra das Finanças, terá considerado que, em ano de eleições e sem ter ainda vendido o Novo Banco, o negócio era inoportuno.
A venda do Banif realizou-se em curto espaço de tempo, após notícias de que o colapso do banco estaria iminente e que não havia sequer dinheiro em caixa. O processo visou alegadamente salvaguardar os clientes.
Perdas para o Estado
António Varela, ex-administrador do banco madeirense e representante do Estado, culpou depois em abril a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu pelo colapso da instituição.
Perante a comissão parlamentar de inquérito ao caso Banif, o responsável não poupou críticas ao processo que culminou com a resolução do banco. O Santander Totta, a TVI, a anterior gestão do Banif e as instituições europeias foram os principais alvos do gestor.
A resolução do banco resultou em perdas para o Estado na ordem dos 2,2 mil milhões de euros e num peso de 1,4 por cento no défice do ano passado.
A operação aconteceu no âmbito de uma medida de resolução que obrigou o Estado a mobilizar 2.255 milhões de euros, dos quais 489 milhões pelo Fundo de Resolução e 1.766 através de injecção direta.
Dedo acusador
"Porque é que o processo Banif correu tão mal? Correu tão mal no fim porque as instâncias europeias - a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia e o BCE - estiveram absolutamente empenhadas em não ter nenhuma responsabilidade no Banif a partir do final de 2015", declarou Varela perante os deputados da comissão.
Uma atitude justificada com a mudança das regras que iria entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2016 e que iria implicar que as resoluções de bancos europeus passassem a ser da responsabilidade do BCE e do Mecanismo Único de Supervisão, explicou o ex-administrador não executivo do banco.
"A partir de determinada altura, tínhamos a DG Comp a afirmar a imperatividade de o Banif ser resolvido até ao final de 2015, como aconteceu, e, por outro lado, a indisponibilidade do BCE a restringirem e dificultarem o processo de alienação do Banif, que tiveram como consequência as enormes perdas para os contribuintes", afirmou.
c/ Lusa